Referência para o tênis feminino

Tenista cresceu em um povoado de Pernambuco e já mostra boa evolução na modalidade

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

cbt/divulgação
Perfil. Teliana tem seis irmãos
Poucos tenistas brasileiros têm a história de vida de Teliana Pereira, atleta que está na 92ª posição do ranking da Associação de Tênis Feminino (WTA, na sigla em inglês). Ao contrário de muitos profissionais, que possuem uma origem em situações de boa condição sócioeconômica, Teliana chegou ao tênis de forma inesperada, na carona da tentativa do pai em buscar uma melhor condição de vida. A família, há 18 anos, deixou o distante povoado de Barra de Tapera, em Pernambuco, rumo a Curitiba. “Alguns tios moravam na capital paranaense. Assim que chegamos, meu pai conseguiu um emprego em uma academia de tênis, onde fazia a manutenção das quadras. Eu o acompanhava na parte da tarde, pegava bolinha nas quadras para ajudar na renda. Foi ali que tudo começou”, recorda a jogadora, que, mesmo nordestina, mostra um sotaque sulista, fruto de quase duas décadas na região. Aproveitando que o irmão mostrava evolução no tênis, Teliana começou a bater sua bola, despretensiosamente. “Eu nem pensava em ser atleta, era só brincadeira. Aos 14 anos, vi que poderia viver do esporte, depois de conseguir bons resultados”, mostra. O responsável pelo crescimento de Teliana e pelo acolhimento que a família teve foi Didier Rayon, técnico e dono da academia. “Ele foi um segundo pai. Eu passava mais tempo com ele do que com meu pai. Tudo que ele fez foi de coração, sem esperar nada em troca. Devemos muito ao Rayon”, agradece Teliana, esbanjando simpatia nas palavras. Espelho . Assim como Guga foi uma referência para o crescimento do tênis masculino no Brasil, Teliana acredita que seus bons resultados podem fazer dela um espelho para outras atletas. Em outubro, ela chegou a ocupar a posição de número 88 do ranking, depois de ganhar títulos em Mont-de-Marsan, St. Malo e Sevilha. Desde 1990, o Brasil não colocava uma tenista no top 100. “O tênis feminino carece de uma referência, alguém para puxar os mais novos. Mas grande parte do sucesso se deve aos treinamentos. É preciso dar tudo de si todos os dias”, coloca. Mesmo humilde, Teliana almeja melhores posições. “Este ano foi melhor do que eu esperava. A meta era ficar entre as 110 e entrei no top 100. Para o ano que vem, quero jogar todos os Grand Slams”, projeta.

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