Kerry visita o Egito um dia antes do julgamento de Mursi

Secretário de Estado norte-americano diz que país parece pronto para democracia

iG Minas Gerais |

Jason Reed
Reunião. Secretário John Kerry cumprimenta o ministro das Relações Exteriores do Egito, Nabil Fahm
CAIRO, Egito. Em visita ao Egito um dia antes do julgamento do ex-presidente Mohamed Mursi, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou ontem que há indícios de que os generais poderiam restaurar a democracia no país. Mursi, deposto em julho após protestos em massa contra seu governo, é acusado de incitar o assassinato de manifestantes enquanto estava no poder. Outros 14 líderes da Irmandade Muçulmana – movimento ao qual Mursi faz parte – também comparecerão aos tribunais hoje, sob acusação de estimular a violência. “Até agora, há indícios de que isso é o que eles estão pretendendo fazer”, disse Kerry em uma entrevista conjunta com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Nabil Fahmy. Imediatamente após desembarcar na capital egípcia, o secretário de Estado reuniu-se com o seu homólogo egípcio. Ele expressou seu apoio às novas autoridades egípcias e fez um apelo pelo fim da violência e para que o país caminhe em direção à democracia. Kerry condenou “todos os atos de violência”, mas mencionou especialmente os cometidos contra as forças de segurança e igrejas, sem citar a repressão policial nas manifestações pró-Mursi. Kerry, a mais importante autoridade dos Estados Unidos a visitar o Egito desde a queda do ex-presidente islâmico, enfatizou a necessidade de julgamentos justos e transparentes. A visita teve um alto grau de sigilo, num sinal de que as relações entre os dois países, aliados próximos de mais de três décadas, não estão em sua melhor fase. Enquanto Kerry passava pelas ruas da capital egípcia, a polícia e o Exército reforçavam as medidas de segurança em todo o país para o início do julgamento de Mursi, que será realizado em uma delegacia de polícia perto da prisão de Tora. Fontes do governo asseguraram à imprensa que Mursi irá ao julgamento, o que seria sua primeira aparição pública após o golpe de Estado de 3 de julho. Islâmicos temem autoritarismo e instabilidade Cairo. Mohamed Mursi e os outros 14 líderes da Irmandade Muçulmana podem ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte se considerados culpados, o que aumentaria ainda mais a tensão entre os integrantes da Irmandade e o governo, e aprofundaria a instabilidade política que tem prejudicado o turismo e o investimento num país onde um quarto das pessoas está abaixo da linha de pobreza. Quando os militares derrubaram Mursi, foi prometido um plano para conduzir o país a novas eleições livres. Contudo, o que se viu foi um dos mais duros esquemas de repressão já montados contra a Irmandade, que agora luta para sobreviver.

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