Governo poderá deixar IPI reduzido devido a pressões

Fim da desoneração termina em 31 de dezembro deste ano. Setor de máquinas e equipamentos é o que mais tem chance de ser atendido

iG Minas Gerais |

CRISTIANO TRAD / OTEMPO 21/02/10
Futuro. Montadoras alertam sobre queda nas vendas. Em setembro redução foi de quase 6%
Brasília. A equipe econômica já enfrenta pressões para prorrogar desonerações tributárias que vencem no fim deste ano. Embora tenha suspendido a estratégia de baixar impostos para estimular a economia, por causa de dificuldades fiscais, o governo vem estudando a possibilidade de estender o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido – que deixa de vigorar em 31 de dezembro – para veículos, materiais de construção e alguns bens de capital. O setor de máquinas e equipamentos, que vem pleiteando a prorrogação do IPI de bens de capital, é o que mais tem chances de ser atendido pelo governo. A maior parte desses produtos já tem alíquota zero de IPI permanente, mas um pequeno grupo precisa que o incentivo seja prorrogado anualmente. Considerado essencial para a indústria de transformação, que responde por 13% do PIB brasileiro, o segmento vem registrando queda na carteira de encomendas. Muitas empresas ainda preferem importar máquinas e bens acabados a comprar produtos nacionais. “Estamos passando por um processo de desindustrialização. Por isso, todos os incentivos são bem-vindos. Precisamos não só do IPI, mas do Inovar Máquinas (plano de estímulo à produção nacional que está sendo preparado pelo Ministério da Fazenda)”, afirma o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, já declarou que existe a possibilidade de o governo prorrogar o IPI reduzido para automóveis até março. As montadoras têm alertado o governo sobre a queda nas vendas de veículos. Em setembro, elas tiveram redução de quase 6% sobre agosto. Turbinada Setores. O governo avalia que veículos, materiais de construção e alguns bens de capital são setores importantes para turbinar o Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 que o Banco Central prevê em 2,13%.   Construção civil também espera benefício O setor da construção também já confia na prorrogação dos incentivos. De acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão, o setor responde por mais de 40% dos investimentos do país, mas teve um desempenho fraco no primeiro semestre de 2013. E no momento em que o governo tem que escolher com cuidado que setores vai incentivar, para não afetar as contas públicas, Simão considera que a ajuda à indústria automotiva deveria ser suspensa. “A indústria automobilística já foi muito favorecida. Sou contra manter (o IPI reduzido) para carro e a favor de mantê-lo para materiais de construção. Estamos num momento em que não dá mais para ficar estimulando a compra de veículos”, disse.

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