Documentários são as estrelas da mostra de cinema

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Leacock Pennebacker Inc./ Divulgação
Filme “Don’t Look Back” acompanha turnê de Bob Dylan em 1965 acompanha turnê de Bob Dylan em 1965
A Mostra de Cinema e Rock’n Roll, que chega ao Cine Humberto Mauro a partir de hoje, reúne diversos documentários sobre bandas e artistas clássicos do gênero. A lista de filmes inclui clássicos escolhidos a dedo. Alguns deles apresentam características singulares em âmbitos estéticos. Um exemplo de experimentação acontece no filme sobre o cantor Bob Dylan, “Don’t Look Back”, de D.A. Pennebaker. “São usadas técnicas do cinema direto, em que o cineasta segue o objetivo dele no dia a dia, convivendo com ele. Isso gera a sensação de instantaneidade e um grau de acuracidade maior”, explica o gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, Rafael Ciccarini. O cantor norte-americano protagoniza outro filme que também faz parte da mostra. “No Direction Home: Bob Dylan”, dirigido por Martin Scorsese. Nas mãos de outro diretor, porém, o olhar sobre o cantor muda. “Esse é um filme mais solto que não tem uma sequência muito lógica. Não é fácil, mas eu gosto do formato. É quase uma licença poética”, brinca o jornalista e editor do programa “Alto Falante”, Terence Machado, que lembra que Bob Dylan tem uma grande birra com a imprensa e, por isso, é muito difícil conversar com ele. Outro astro de rock que não se dava muito bem com os jornalistas é Lou Reed, morto há uma semana. Reza a lenda, que o ex-integrante do Velvet Underground fazia jornalistas chorarem e dificilmente concedia uma entrevista. Na mostra, a trajetória dele poderá ser relembrada pelos saudosos fãs no filme “Lou Reed: Rock and Roll Heart”, de Timothy Greenfield-Sanders. “Já tinha colocado o documentário na mostra antes mesmo do falecimento dele”, garante Ciccarini. O curador faz questão de lembrar da qualidade técnica incomparável de “Shine a Light”, também de Scorsese, em que o diretor mostra os bastidores e duas apresentações da banda Rolling Stones no Beacon Theater, em Nova York. “As câmeras usadas eram de primeira linha e conseguiram captar o áudio de uma forma brilhante”, comenta. Woodstock Dentro da programação da mostra, dois filmes não são sobre bandas ou cantores: “Monterey Pop”, de D. A. Pennebaker, e “Woodstock – 3 Dias de Paz, Amor e Música”, de Michael Wadleigh. Este último é o que mais chama atenção do jornalista Terence Machado. “‘Wodstock’ é um clássico não só por retratar a história do festival e dos artistas lá revelados, mas também por registrar um evento que marcou a história dos festivais em uma época que não havia preparação para esse tipo de evento e, mesmo assim, eles foram lá e fizeram um dos maiores festivais que o mundo já viu. Foi uma verdadeira postura kamikaze”, explica. O documentário sobre o festival mostra os três dias em que o festival de rock aconteceu em 1969 e recebeu shows de Jimi Hendrix e The Who e Janis Joplin.

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