Coletivo Família de Rua retorna às atividades com Duelo de MCs

Região do viaduto de Santa Tereza volta a ser ocupada aos domingos

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

UARLEN VALERIO / O TEMPO
“Duelo do Conhecimento”. Quatro MCs convidados discutiram, usando versos, mobilidade urbana e passe livre
Entre grafites e pichações, a mensagem desenhada na parede deixa claro o motivo da reunião das centenas de jovens que lotaram o vão do viaduto de Santa Tereza na tarde de ontem: “Respeite o Duelo de MCs”. Embalados pelo ritmo marcado do rap, eles estavam ali para assistir à volta do evento mais importante da cultura hip hop da capital mineira.Suspenso havia cinco meses por falta de apoio do poder público, o Duelo de MCs voltou com um tom ainda mais político, renovado pelo fôlego que os movimentos urbanos ganharam desde junho, com as manifestações populares no país.“Esse tempo de pausa nos ajudou a pensar melhor o evento, descobrir o que esperamos dele. E também para chegarmos à conclusão de que não vamos mesmo contar com ajuda de nenhuma esfera do poder público. Além do desinteresse, existe uma desarticulação crônica. Então desistimos de esperar, e estamos de volta por conta própria”, disse Thiago Antônio, membro do coletivo Família de Rua, organizadora do evento, que começou a ser realizado no viaduto em 2007.Além do duelo tradicional, com a participação do público em estilo livre, houve também uma edição do “Duelo do Conhecimento”, em que quatro MCs convidados discutiram, em verso, a mobilidade urbana e o passe livre. “Essa discussão tem tudo a ver com a nossa proposta. Um dos motivos para o duelo ter acabado no formato anterior, às sextas-feiras à noite, era a falta de transporte público para as pessoas voltarem para casa. Não que no domingo não seja complicado, já que existem áreas que não contam com linhas regulares aos fins de semana, mas pelo menos ninguém vai ter que passar a noite na rua por nossa causa, esperando o ônibus”, disse Thiago.aprovação. Entre o público, o estudante Allyson Nascimento, 20, era um dos mais animados. Para ele, a volta do duelo é uma questão política importante. “É uma forma de ocupação do espaço público. Já há muitos anos, essa área é nossa, e é assim que tem que ser”, afirmou.

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