Ex-motorista nega envolvimento em acidente que matou JK

Josias Nunes de Oliveira denunciou ter recebido proposta para assumir culpa no desastre que matou x-presidente

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Guilherrme Bergamini
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A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) recebeu, em audiência pública nesta segunda-feira (4), o ex-motorista da empresa de ônibus Cometa, Josias Nunes de Oliveira, que teria sido acusado de provocar o acidente que vitimou o ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek. A reunião foi solicitada pelo deputado Durval Ângelo (PT). De acordo com o ex-motorista, tanto ele quantos os 33 passageiros do ônibus que ele guiava no dia 22 de agosto de 1976, presenciaram o acidente ocorrido na Rodovia Presidente Dutra, no trecho que liga o estado de São Paulo ao Rio de Janeiro. Em seu depoimento, ele explicou que, ao ver a cena, parou para prestar socorro mas, ao verificar que havia outras pessoas no local e que os passageiros do veículo acidentado tinham morrido, seguiu viagem. No dia seguinte, ele teria sido chamado pelo setor jurídico da Cometa, quando foi arguido sobre o fato. “Depois disso, minha vida acabou. Simularam tinta no veículo em que estava o ex-presidente na lataria do ônibus e, com isso, fui indiciado pelo acidente”, disse emocionado. Ainda em sua fala, Josias lembrou que foi acusado pelos colegas e acabou abandonado pela família. “Tinha 33 anos e faço 70 na próxima semana. Desde aquele momento não consegui mais emprego e me aposentei por invalidez”, relatou. Ao final, ele atestou que o delegado responsável pelo caso teria tentado convencê-lo a assumir a culpa pelo acidente e que teria recebido visita de dois homens que ofereceram mala de dinheiro para que ele dissesse que causou o desastre. O presidente do Museu Casa de Juscelino, Serafim Melo Jardim, reforçou que o então motorista da Cometa nada tem a ver com o ocorrido. Segundo ele, tanto o processo quanto a perícia feita no ônibus são repletas de falhas e fraudes.  O presidente da Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Gilberto Toanos Natalini, afirmou que está a procura de um legista que teria estado presente na autópsia de JK e identificado um ferimento a bala na cabeça do motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro. Para ele, caso essa pessoa confirme o fato e o fragmento verificado no crânio do motorista seja encontrado, o caso será elucidado. “Existe tecnologia que confirma a origem e função do referido metal”, disse. O vereador destacou, ainda, que a comissão ouviu, em Aracaju (SE), o depoimento do legista que participou da exumação do corpo de Geraldo Ribeiro, e confirmou o ferimento provocado por arma de fogo na cabeça da vítima. “Outra pista é a carta do coronel Contreras, do então governo Augusto Pinochet, no Chile, ao general João Figueiredo, alertando para o crescimento das oposições na América do Sul, citando, inclusive, JK”, completou. Providências Após os debates, foram aprovados dois requerimentos de autoria do deputado Célio Moreira. O primeiro pede o envio das notas taquigráficas da reunião para os convidados da audiência e às comissões da Verdade Nacional, Estadual e do Rio de Janeiro. O Segundo pede a realização de audiência pública em Diamantina (Central) para debater os indícios de atentado político contra o ex-presidente Juscelino Kubitschek.

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