Teles continuam ‘avacalhadas’

Cliente acumulou 87 protocolos, entrou na Justiça, ganhou, e problema continuou. Cliente acumulou 87 protocolos, entrou na Justiça, ganhou, e problema continuou

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

RICARDO MALLACO / O TEMPO
Celular novo de Roselene Silva parou de acessar a internet
“É difícil encontrar um setor com as relações de consumo tão avacalhadas como o de telefonia”. A conclusão é do deputado estadual Zé Maia (PSDB), presidente da CPI da Telefonia, instalada desde junho na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O office boy Gladstone Santos não ouviu as palavras do parlamentar, mas assinaria embaixo. Há três meses, a operadora de celular bloqueou a linha dele. Depois de acumular 87 protocolos de ligações telefônicas e perder as contas de quantas vezes foi à loja – “são tantas que os atendentes já me chamam pelo nome” –, ele entrou na Justiça e conseguiu, além da normalização da linha, uma indenização de R$ 500. Quando ele pensou que o problema estava definitivamente superado, veio a surpresa: na semana passada, a linha foi bloqueada de novo. Até quinta-feira, ele já tinha 15 novos protocolos de atendimento e uma visita sem sucesso à loja da operadora. “Por telefone, me mandam procurar a loja. Na loja, me mandam resolver pelo telefone, e ninguém resolve nada”, conta. A situação fica ainda pior porque ele usa o celular para organizar a agenda de palestras de sua mulher. “Estamos perdendo trabalho”, reclama. Situações como as de Gladstone foram encontradas pelos parlamentares da CPI em visitas-surpresa às lojas das operadoras em Belo Horizonte. De acordo com os deputados, as irregularidades são inúmeras, mas a dificuldade para cancelar o serviço e as cobranças indevidas são o maior problema do consumidor. A situação é agravada pela dificuldade em se comunicar com as empresas. “Os call centers são um obstáculo a mais. As pessoas são treinadas para reter ligações e não resolver os problemas”, disse o deputado Zé Maia. ‘Só pelo telefone’. Foi o que aconteceu com Maria José Ferreira Paixão, que foi a uma loja na esperança de resolver o problema de sua linha mas, no balcão de atendimento, foi informada que o atendimento para o seu caso seria apenas telefônico. Ela ligou do próprio estabelecimento e ficou mais de dez minutos esperando, até que desistiu. “Estou com um pouco de pressa”, explicou. Desde setembro, ela paga seu plano controle, mas não recebe os créditos para ligar, apenas os bônus que permitem fazer ligações para outros telefones da mesma operadora. “Vou tentar resolver depois”, disse. Ruim “É difícil encontrar um setor com as relações de consumo tão avacalhadas como o de telefonia. É impressionante como o serviço pode ser tão ruim” Zé Maia. Presidente da CPI da Telefonia “É inaceitável o que está acontecendo nesse setor. As operadoras fazem o que querem e não há fiscalização” João Leite. Relator da CPI da Telefonia   Prazo Prorrogação. Os trabalhos da CPI da Telefonia devem durar até o fim do ano, mas, caso seja necessário, é possível prorrogar o prazo por mais 60 dias para aprofundar as investigações. Queixas As empresas de telefonia estão no topo do Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas divulgado pelo Ministério da Justiça.    Em 2012, os Procons de todo o país receberam 211 mil reclamações consideradas procedentes.    A campeã de queixas foi a Oi, com 9.371, das quais 6.707 foram atendidas.  Em seguida vem a Claro/Embratel, com 7.653 queixas, das quais 5.388 foram atendidas.    Em 2011, a telefonia (fixa e celular) ficou em segundo lugar nas reclamações, atrás apenas das queixas contra os aparelhos celulares.

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