Maranhão tem exemplo de sucesso

iG Minas Gerais |

7A prática do bullying não escolhe idade, gênero, raça ou classe social, está cruelmente presente em escolas públicas e particulares em todo o Brasil, e para mudar essa realidade é preciso muito empenho. Um bom exemplo de combate às agressões vem da Escola Municipal Senador Archer, que fica em Codó, município a 290 km da capital maranhense São Luís.O bullying sempre foi um problema grave na instituição que recebe, em sua grande maioria, alunos das regiões de periferia, e 66% deles possuem Bolsa Família, segundo a atual diretora da escola. “Aqui tinha um ‘corredor da morte’, um local que geralmente na hora do intervalo os alunos usavam para maltratar os colegas, colocando o pé, puxando os cabelos, apelidando os outros. Vivíamos chamando a polícia na escola ou indo à delegacia com alunos”, lembra Ednir da Silva Souza.A situação que gerava altos índices de violência começou a mudar quando, em 2009, a instituição foi escolhida para ser a escola piloto do projeto “Educar para a paz”, da organização não-governamental de origem inglesa Plan, em parceria com a prefeitura. “Fizemos uma eleição entre os 900 alunos do sexto ao nono ano e escolhemos 24 líderes de sala que passaram a ser multiplicadores do projeto, fazendo palestras, gibis e sendo capacitados para detectar o bullying. Todo mundo deu as mãos e deu certo. Não conseguimos eliminar totalmente, mas acontece com menos frequência. O trabalho é continuo”, afirma a diretora. Francinaldo Oliveira Feitosa, 16, reconhece que há três anos era considerado um “aluno-problema” para a escola, mas hoje se orgulha de ter se tornado um multiplicador do projeto. “Eu era um rapaz muito rebelde com meus pais e aprontava muita coisa com os meus amigos do colégio. Hoje, quando vejo algum aluno praticando bullying, eu falo que está errado”, conta o garoto, que já pensa em se tornar um “educador da paz”.“Após o projeto, a cultura da paz foi se expandindo, o índice de violência foi diminuindo, e a frequência dos alunos nas aulas aumentando. Além disso, conseguimos sensibilizar também as políticas públicas e hoje existem cinco leis aprovadas: quatro municipais e uma estadual. O projeto foi expandido e hoje já está presente nas 282 escolas de Codó”, afirma a promotora comunitária da ONG Plan, Silvia Santos. (LM)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave