Fazer show em BH é mais caro

Cidade entra na rota de artistas internacionais, mas ainda caminha para oferecer serviços à altura

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |

Leo Aversa
É local. Projeções no palco da turnê “Verdade é uma ilusão”, de Marisa Monte, em todo o país, são feitas pela mineira On Projeções
Figurante no cenário brasileiro dos grandes shows internacionais até alguns anos, Belo Horizonte hoje, se ainda não é protagonista, ao menos vem engordando consideravelmente seu portfólio de grandes artistas que visitam a cidade. Se, por um lado, a inauguração de novos espaços, como o Mineirão e o Independência, resolveu o problema belo-horizontino de carência de locais de qualidade para grandes shows, de outro os produtores da cidade ainda sofrem com a falta de fornecedores mineiros e precisam recorrer a mercados maiores, como Rio de Janeiro e São Paulo, para viabilizar a realização de grandes espetáculos.“Os serviços de segurança e transporte de equipamentos, por exemplo, chegam a custar 25% mais em Belo Horizonte do que é cobrado para a realização do mesmo evento em São Paulo”, conta um dos principais produtores da cidade, Aluizer Malab. Outro problema, segundo ele, é o preço do aluguel dos espaços. “Por razões contratuais, não posso revelar valores, mas é uma questão que precisa ser revista”.Além disso, os produtores mineiros precisam cobrir custos logísticos. Alguns trabalhos, como montagem, som e iluminação de grandes palcos, não existem em Belo Horizonte e são oferecidos apenas por duas ou, em alguns casos, uma empresa – o que inflaciona o preço. Como essas empresas estão ou no Rio de Janeiro ou em São Paulo, cabe ao produtor local pagar pelo transporte e montagem em uma outra praça, o que pesa na balança final de custos e reduz a competitividade da capital na concorrência com outras praças. Produtores paulistas e cariocas também se beneficiam de uma melhor estrutura de patrocínio e apoio, que ajuda a fechar a conta. “Nossa cultura de patrocínio ainda é muito fraca, e os ingressos são praticamente nossa única fonte de receita”, explica.Apesar dos problema, Malab diz que o saldo tem sido positivo. “Foi uma feliz coincidência a nossa estabilidade econômica, a inauguração de novas arenas e a vontade dos artistas de visitar a América do Sul e o Brasil.”, conta Malab. “Isso tem viabilizado a vinda de grandes artistas e contribuído inclusive para a formação de um público mineiro, que estava desacostumado a acompanhar grandes produções”. Projeção. Num mercado carente de fornecedores mineiros, a On Projeções é uma exceção. Fundada em Belo Horizonte na década de 80 por colegas de faculdade, a empresa, que começou fazendo filmagens de casamento, hoje se tornou a principal do país a realizar projeções em shows. Na impressionante turnê “The Wall”, do ex-Pink Floyd, Roger Waters, no Rio de Janeiro, em 2011, lá estavam os projetores do mineiro Carlos Murta. “O equipamento dele que viria de Porto Alegre não chegou a tempo e alugaram o meu. Pra eles, foi uma surpresa ter um equipamento tão moderno aqui no Brasil”, lembra. O mesmo aconteceu durante a turnê da norte-americana Beyoncé em Salvador, quando os projetores oficiais da turnê falharam nos testes. Murta explica que os grandes artistas possuem seu próprio equipamento de projeção e não têm o hábito de contratar fornecedores locais. Por isso, seu foco é no mercado nacional. Hoje, ele é responsável pelas projeções da elogiada turnê “Verdade é uma ilusão” da cantora Marisa Monte, além das turnês do Skank e do Rappa.

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