Boca saudável

Saúde bucal de cães e gatos requer cuidados específicos; escovação deve ser um hábito

iG Minas Gerais | Luna Normand |

arquivo stockexpert
Gatos têm, em média, 30 dentes, que são mais finos do que os dos cães
Você sabia que, assim como a saúde bucal do ser humano engloba uma série de cuidados, os pets também precisam de atenção quando o assunto é a boca? E não é só por causa do mau hálito, não. Muito além de problemas simples como o odor ruim, a correta higienização pode evitar infecções e doenças no fígado, rins e até no coração.    Cães e gatos nascem com dentes de leite, que são trocados entre o quarto e o oitavo mês de vida pela dentição permanente. Esse processo é rápido e pode passar despercebido pelos seus donos. “Na maioria das vezes, não causa dor ou incômodo e, geralmente, eles engolem ou perdem o dente”, afirma o médico veterinário Luiz Fernando Lucas Ferreira, especialista em animais de pequeno porte e professor da PUC Minas.    Enquanto os gatos têm cerca de 30 dentes, todos eles finos e afiados, os cães possuem aproximadamente 42 em idade adulta. Lucas diz que, ao longo da vida, dificilmente esses animais terão cárie, pois sua saliva possui pH alcalino, desfavorável para a ação das bactérias causadoras da cárie, que necessitam de ambientes ácidos. Por isso mesmo, segundo o veterinário, a grande vilã quando o assunto é a dentição dos pets são as chamadas doenças periodontais.   Elas acometem os tecidos de suporte (gengiva) e sustentação (cemento, ligamento periodontal e osso) dos dentes, sendo a principal causa de desconforto entre cães e gatos e visitas de urgência nas clínicas veterinárias.    Luiz Fernando explica que a causa, na maioria das vezes, está relacionada à falta de higiene. “O acúmulo de placa bacteriana contribui com a formação do cálculo dentário, o chamado tártaro. Se não eliminado, ele pode provocar gengivites e sangramentos, além de ocasionar a perda de dentes e agravar o mau hálito”, diz.    E o descuido com a saúde bucal do pet vai além do desconforto social, podendo gerar problemas ainda mais sérios. Em excesso na boca, os micro-organismos podem se infiltrar na corrente sanguínea. “Quando absorvidas pelo sangue, as bactérias podem causar hepatite, infecções crônicas e irreversíveis, acometendo até órgãos como rins e coração”, garante.   Sintomas  O mau hálito geralmente é o primeiro sinal que cães e gatos manifestam quando há algo errado com a boca. Mas o médico veterinário Luiz Fernando alerta para outros sintomas, como a diminuição do apetite e, consequentemente, da ingestão de alimentos.    “O animal passa a querer só o alimento macio, fácil de mastigar. Ele também pode apresentar sangramento gengival associado à saliva”, diz.   Parte da prevenção ocorre dentro de casa, com a escovação diária ou, no mínimo, três vezes por semana. Para isso, o profissional indica uma pasta dental específica e uma escova de cerdas macias. “Existem também biscoitos e ossos de borracha que ajudam na limpeza dentária, mas eles só conseguem remover o tártaro superficial, localizado na parte externa do dente. Por isso, é fundamental escovar sempre os dentes”, garante.    Outros tratamentos envolvem a raspagem do cálculo dentário, o polimento da superfície dentária dos animais e até a extração de dentes. Para evitar essas e outras intervenções, é importante realizar um check up anual do animal. “Exames de rotina, como sangue e fezes, a partir de um ano e meio, ajudam a manter o controle da saúde de cães e gatos e detectar qualquer problema associado à boca do animal”, aconselha o veterinário.    Como escovar? Para que a escovação não se torne um momento assustador para os pets, alguns cuidados são fundamentais: Escova ideal: Utilize sempre escovas específicas para animais. As de dedo, com cerdas macias e anguladas, funcionam bem. Opções: Deixe que o animal experimente a pasta de dente antes de iniciar a escovação. Há algumas boas opções no mercado com sabores de carne ou frango. Periodicidade: A escovação deve ser realizada pelo menos três vezes na semana. Posição: Ao escovar os dentes, alguns animais podem ficar ansiosos, estressados ou desconfiados. Por isso, é importante encontrar uma posição que deixe o pet confortável. Movimento: Comece pelos dentes da frente até chegar aos de trás, sempre em movimentos circulares, formando um ângulo de 45 graus entre a escova e os dentes. Descontração: Converse, acaricie e brinque com o animal. A escovação deve ficar marcada como uma experiência positiva para ele. Atenção: Se você notar a presença de tártaro, inflamação da gengiva ou qualquer outra alteração, suspenda a escovação e procure um veterinário.     

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