Talento e originalidade

iG Minas Gerais |

Robson Mariz/divulgação
“O desenho sempre surgiu fácil das minhas mãos, me divertia recortando e montando cidades, carros, tudo de papel”
À primeira vista, Leopoldo Martins é um “gentleman”. À segunda vista e à terceira também. Um “gentleman” que, ainda por cima e pelos lados, é um escultor talentoso, original, já com fama internacional. Aqui, ele derrete as perguntas e dá formas sinuosas às respostas, como se pedisse desculpas sinceras: as belas artes muito feias que me desculpem, mas beleza é fundamental. Leopoldo, você sempre foi artista plástico? Sempre foi escultor ou já arriscou a pintura? Sempre fui uma criança que não teve dificuldades em representar no papel o que observava ao meu redor. O desenho sempre surgiu fácil das minhas mãos, me divertia recortando e montando verdadeiras cidades, carros, aviões, tudo de papel. A pintura, as cores são uma expressão que não domino bem, tenho pouco conhecimento, prefiro o lápis ao pincel. Você ficou (mais) famoso com as grandes esculturas de animais selvagens. Esgotou a fase? Não. Nunca pensaria em deixar de fazer os grandes felinos, é uma paixão de criança, não se “abandona” uma paixão, tenho prazer em fazê-los. Você passou dos animais para as musas, as mulheres. Descobriu, como o apelido de Ava Gardner dado por Jean Cocteau, que a mulher é o mais belo animal? (Risos) Na realidade, venho pesquisando este novo caminho há anos. Em 2005, fiz algumas esculturas abstratas, meus “Totens”. Desde então, venho buscando uma nova referência e linguagem para esta nova série de esculturas. Me parece ser um caminho natural migrar da beleza e força dos felinos para a sensualidade e sutileza do corpo da mulher. Quais são suas maiores influências, referências? Clássicos como Bernini, modernistas como Brancusi, Picasso. Cada um tem sua importância. Foram referências estéticas em suas épocas. A arte africana é rica em suas representações, reflete uma cultura ancestral. Acredito que ela seja a grande influência na arte moderna do século XX. A natureza sempre foi uma grande fonte de inspiração e de referências. Aonde vai, aonde quer parar Leopoldo Martins? Quero poder estar trabalhando no ateliê. Em casa, estou sempre criando algo novo com coerência, desenvolvendo um trabalho autoral com uma linguagem própria. Aonde este trabalho vai me levar não posso saber. Já fiz belas exposições por vários países, fico feliz em poder mostrar e sentir a receptividade das pessoas. Planos imediatos para 2014: viagens, descanso, mais trabalho? Estou com esta grande exposição no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. São 50 esculturas de médio e grande porte nos Jardins do Palácio. Sou o primeiro artista a fazer uma exposição neste icônico lugar. Para 2014 está previsto o lançamento do meu segundo livro de esculturas, escrito pela francesa Pascale Lismonde, agendado para maio, aqui em BH. Em seguida, farei o lançamento do livro na França e uma exposição desta nova série de esculturas no Museu Paul Belmondo, em Paris. Tenho alguns convites para expor nos Estados Unidos, Turquia e Finlândia.

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