Instabilidade e exclusão

iG Minas Gerais |

Imagens de manifestantes em um caminhão na contramão de uma rodovia de São Paulo, durante protestos por causa da morte de um rapaz por policiais, além de um feroz ataque de black blocs contra um comandante da Polícia Militar carioca, com pancadas, pauladas e pedradas, quase levando o oficial à morte por linchamento, mostram o estado de sítio no qual o Brasil se encontra. Impressiona o número de manchetes retratando barbaridades da sociedade brasileira, que tomam conta dos jornais, mas que já não surtem tanto efeito no imaginário das pessoas nem geram mais a comoção que criavam alguns poucos anos atrás. Casos como o de um estuprador de Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte, morto a pedradas em plena via pública, e de um menor assassinado com um tiro no ouvido, desferido por um dito cidadão comum, após o adolescente tentar assaltar uma mercearia na periferia de Betim, são cada vez mais comuns. Sinal de que a crença na polícia e nos meios legais de se promover justiça está por um fio. A banalidade do crime e da violência se espalha em velocidade estonteante ao ponto de um cara roubar com armas em punhos e duas horas depois se aprontar para ir ao trabalho formal, o de carteira assinada, como se nada tivesse ocorrido minutos atrás. A criminalidade passa a ser um “bico” para muitos, algo que não perturba mais a consciência, assim como a corrupção se torna condição sine qua non em funções públicas. Gente morrendo a pauladas, policiais desmoralizados, vandalismo, impunidade e soberba de donos de cartéis sobre as comunidades eram notícias que costumavam ser relacionadas a países distantes, de cultura avessa à nossa. gora, o apedrejamento está aqui, na rua ao lado. A deterioração da sociedade se expressa não só na violência, mas na ostentação daquilo que não pode ser psicologicamente saudável. Para os corruptos, não basta roubar, é preciso exibir o prêmio da cretinice. Aos traficantes, traficar deixou de ser o mais importante. É preciso impor o medo pelo medo, o poder do terror. O jovem delinquente não se contenta mais com o produto de seu furto ou com a consequência de seus atos, pois o que mais o satisfaz é tripudiar das leis. O Brasil caminha a passos largos para um colapso. Assistindo a tucanos e petistas comemorarem e reivindicarem para si a paternidade de projetos que “deram certo”, há de se perguntar em que país vivem eles? Será no mesmo que o nosso? Há de se perguntar para que valem a estabilidade do PSDB ou a inclusão do PT se a violência cresce avassaladoramente, se a roubalheira é multiplicada pela décima potência e se o sono, a todo tempo, é perturbado pelo barulho dos fuzis?

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