Bolsa Família, dez anos de vida melhor

Cada R$ 1 investido no programa tem um impacto de R$ 1,78 no PIB

iG Minas Gerais |

Apenas quatro dias depois da posse, em janeiro de 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou todos os seus ministros ao Piauí e ao Recife para, nas palavras dele, “ver a pobreza de perto”. O gesto poderia ter sido apenas simbólico. Vários governantes que o antecederam já tinham prometido combater a fome sem sucesso no enfrentamento da miséria. Dez anos depois daquela viagem, a presidente Dilma Rousseff, com Lula a seu lado, celebrou nesta semana os dez anos do Bolsa Família. Com a colaboração fundamental dos 5.500 prefeitos brasileiros, incansáveis na busca e no cadastramento dos brasileiros mais carentes, o maior programa de distribuição de renda do mundo atende hoje a 13,8 milhões de famílias, que recebem um benefício médio mensal de R$ 152. No último mês de setembro, cerca de 1,16 milhão do total de famílias atendidas eram mineiras, representando uma cobertura de 97,5 % da estimativa de famílias pobres no Estado. O valor médio do benefício foi de R$ 142. Uma década depois, o Bolsa Família mantém fora da pobreza extrema 36 milhões de brasileiros do Norte ao Sul do país. Esse resultado torna-se ainda mais expressivo quando se sabe que o investimento anual no programa é inferior a 1% do PIB. Ainda assim, esses dez anos de sucesso foram acompanhados de avaliações equivocadas. Foi e ainda é comum ouvir que o Bolsa Família estimula a preguiça e leva ao aumento do número de filhos por família, para aumentar o valor e prolongar o direito ao benefício. Avaliação que resulta da simples desinformação ou do mais arraigado preconceito. Desde sua criação, 1,69 milhão de famílias deixaram espontaneamente o programa quando sua renda mensal ultrapassou o teto de R$ 140 por pessoa. Essas famílias representam 12% do total de famílias atendidas. Outros dois dados desmontam a tese do estímulo à preguiça: 10% dos 3,5 milhões de microempreendedores individuais são beneficiários do programa; 62% da renda das famílias mais pobres, cuja renda per capita é de até 25% do salário mínimo (R$ 169,50), vêm do trabalho. A taxa de fecundidade das mulheres mais pobres caiu 30% entre 2000 e 2010. Na média nacional, a queda foi de 20,17%. Além do impacto direto na vida de quem recebe o benefício, a garantia da renda mínima para os brasileiros mais pobres teve efeito cascata na economia. De acordo com a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, cada R$ 1 investido no programa tem um impacto de R$ 1,78 sobre o PIB. O consumo de alimentos, produtos de higiene pessoal e eletrodomésticos teve altas expressivas ao longo dos últimos dez anos. Mesmo sob uma das secas mais severas das últimas décadas, o Nordeste do Brasil e o Norte de Minas não assistiram a um saque. O direito à refeição diária esteve assegurado pelo programa de transferência de renda. E assim deve continuar. No seu discurso, a presidente reafirmou o compromisso do governo federal em manter o Bolsa Família enquanto houver uma família que necessite do recurso. Compromisso reafirmado com um pedaço do Brasil que viveu 500 anos de exclusão.

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