Chinesinho do barulho

JAC J2 é ágil no trânsito urbano, mas habitáculo é ruidoso e tem falhas de ergonomia

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Alexandre Carneiro
Subcompacto chinês tem cara simpática, com faróis espichados
O pacote de equipamentos farto costuma ser o grande trunfo dos carros chineses. Ainda novatas no Brasil, as empresas daquele país são generosas com o recheio dos produtos, para tentar conquistar espaço no mercado nacional, dominado por marcas com fábricas locais. O JAC J2, filho legítimo da terra do dragão, não foge à regra: entrega ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos (nas quatro portas, porém sem sistema um-toque), travas com acionamento à distância, alarme, rodas de alumínio aro 14, rádio/CD Player com entrada miniUSB, airbags frontais e freios ABS com EBD. Curiosamente, os úteis (e básicos) lavador e desembaçador do vidro traseiro não constam no pacote. Na ponta do lápis, o J2 sai por R$ 31.990, preço competitivo no segmento. Não há opcionais, tampouco versões mais ou menos equipadas. Ao comprador, cabe apenas escolher a cor do veículo. Pequeno O J2 é um subcompacto, enquanto os carros nacionais na mesma faixa de preço são cerca de 30 cm maiores e encaixam-se na categoria dos compactos. Isso implica em prós e contras. A maior vantagem aparece na hora de estacionar, quando as dimensões enxutas da carroceria permitem entrar em vagas apertadas, impossíveis para outros veículos. A principal desvantagem é o porta-malas diminuto, com apenas 121 l de volume. Para efeito de comparação, os bagageiros de Gol e Uno têm mais que o dobro da capacidade. Em relação às dimensões externas, o habitáculo é bem-aproveitado, mas o espaço é suficiente só para quatro ocupantes. Transportar três pessoas no banco traseiro fará com que todas fiquem muito desconfortáveis. Além de viajar espremido, o passageiro central ainda não contará com a proteção do encosto de cabeça e do cinto de três pontos. O motor do J2 tem 1.332 cm³ de cilindrada. Portanto, está mais para 1.3, apesar de o fabricante arredondá-lo para 1.4. Atual, o propulsor tem 16 válvulas, com comando variável e acionamento por corrente, que dispensa a temida correia dentada. Porém, só bebe gasolina, enquanto o sistema flex é padrão no segmento. Segundo a JAC, o powertrain gera 108 cv de potência a 6.000 rpm e 14,1 kgfm de torque a 4.500 rpm. Estranhamente, na China, o fabricante anuncia que o mesmo conjunto mecânico desenvolve apenas 99 cv. Visual Dono de um design bem-resolvido, o subcompacto da JAC chama atenção. A cara do chinesinho é simpática, com faróis arredondados e espichados. Na traseira, o destaque fica por conta das grandes lanternas. Enquanto o veículo esteve nas mãos da reportagem, várias pessoas se aproximaram para fazer perguntas sobre ele. Como o J2 é um peso pluma, com apenas 913 kg de massa corporal, os números de potência e torque são mais que suficientes para proporcionar bom desempenho. As respostas são meio lentas até as 3.000 rpm, mas, a partir daí, o carro fica ágil. Andar mais rápido, contudo, não é o forte do modelo. A direção é pouco progressiva e torna-se muito leve acima de 80 km/h, prejudicando a estabilidade direcional. Tudo bem que o hatch tem proposta urbana, mas, ainda assim, deveria se comportar melhor em rodovias. Por sua vez, a suspensão faz o carro quicar em ondulações e se mostra ruidosa em pisos irregulares. O barulho, aliás, é a marca registrada de todo o conjunto mecânico do J2. Na unidade avaliada, o ronco do motor invadia sem cerimônia o interior do carro. Para completar a orquestra, o trambulador do câmbio emite sons em demasia durante as trocas de marcha. Outros pontos a serem corrigidos na transmissão são a imprecisão dos engates e o curso exagerado da alavanca. A bordo O motorista senta-se em posição estranha, com braços esticados e pernas flexionadas. O volante também não ajuda: fino demais, proporciona pegada desconfortável, embora ofereça regulagem de altura. O que agrada é a visibilidade, boa em todas as direções. O painel é vistoso, com apliques cromados e peças que imitam fibra de carbono, mas um olhar mais atento logo perceberá deficiências de acabamento, como imprecisões e folgas nos encaixes. O maior incômodo, contudo, fica por conta de algumas falhas de ergonomia: os instrumentos têm leitura difícil, principalmente o conta-giros, que é minúsculo, enquanto o velocímetro, apesar de grande, apresenta números pequenos. Ademais, os comandos dos vidros elétricos e dos faróis de neblina estão posicionados longe das mãos, prejudicando o manuseio. Ao fim da avaliação, fica a impressão de que o chinesinho, apesar de ter algumas qualidades, precisa seguir um longo caminho até se tornar um produto maduro.

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