Mais de 565 mil pessoas passam por cemitérios de BH no Dia de Finados

No Bosque da Esperança, região Norte da capital, o gesto de carinho de cada um se completou com a chuva de pétalas de rosa, jogadas de um helicóptero

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Pedro Gontijo/O TEMPO
Ponto turístico da capital, o Cemitério do Bonfim conta com aplicativo que facilita a localização dos túmulos
“Eu sinto saudades sozinha todos os dias. Hoje a saudade não é só minha, é de todos”. A forma como a aposentada Sônia Maria Souza Carvalho, 66, encara o Dia de Finados se confirmou ontem no rosto e nos gestos de quem saiu de casa para visitar os túmulos dos entes queridos, neste sábado (2). Cerca de 565 mil pessoas passaram pelos cemitérios públicos e privados de Belo Horizonte neste fim de semana.   A saudade foi demonstrada de diversas maneiras pelos visitantes. O técnico em informática Guilherme Vinícius Teixeira Souza, 31, parecia solitário ao lado da sepultura do pai, no Bosque da Esperança, no bairro Jaqueline, em Venda Nova, na capital. Mas, na verdade, ele disse que conversava com o pai em silêncio.    A poucos metros dali, o aposentado José Gomes dos Santos, 77, com seu fone de ouvido, viajava em lembranças da filha ao som de músicas instrumentais do cinema. “Estou sempre aqui com meus CDs e minha rosa”, afirmou, enquanto fixava a flor vermelha ao lado do nome de Raquel Gomes Brandão dos Santos, que morreu há cinco anos de câncer.   O gesto de carinho de cada um se completou com a chuva de pétalas de rosa, jogadas de um helicóptero que sobrevoou o Bosque da Esperança. Também houve missa pela manhã, e centenas de balões brancos foram soltos com mensagens escritas pelos visitantes. “Apesar da tristeza da separação, a morte é apenas uma passagem. Nós, cristãos, cremos na vida eterna”, traduziu o padre Joaquim Miranda.   Milhares de fiéis também se reuniram na missa celebrada pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, no cemitério da Paz, no bairro Caiçara, na região Noroeste. Para ele, a data tem três importantes sentidos: acreditar na misericórdia de Deus, manifestar a fé e a esperança de salvação e reavivar a memória. “O sentimento da saudade é bom, pois sentimos falta de quem amamos”, completou o bispo.   Foi com orgulho que o dentista Fabiano Raso, 71, lembrou dos familiares que já morreram. “Meu avô, Afonso Raso, trouxe o primeiro ônibus para a capital”, disse, referindo-se ao que na década de 1930 era chamado de jardineira. Ele vai todos os anos ao cemitério do Bonfim, na região Noroeste da capital, com a mulher Vera Tafuri Raso, 71, que cuida de levar as flores. Já a professora Heloísa Jorge, 65, além de cuidar da sepultura de entes da família, decora o de uma jovem chamada Yara, que morreu em 1963 e foi enterrada no Bonfim. “Não a conheci, mas ela é muito bonita”, afirmou ao mostrar a foto da mulher no túmulo.   

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