OGX deve R$ 37 mi à Petrobras

Até estacionamento, cafezinho e aluguel da sede constam em relação de credores

iG Minas Gerais |

ALISSON GONTIJO - 24.5.2012
Endividado. Total das dívidas da petroleira OGX, de Eike Batista, soma R$ 11,2 bilhões, segundo lista
Rio de Janeiro. A lista de credores da OGX revela que a empresa de Eike Batista tem dívida com órgãos públicos e com empresas controladas pelo governo federal, como a Petrobras. A estatal petrolífera tem crédito a receber de R$ 37 milhões, já vencidos, o que a coloca entre os dez maiores credores de sua concorrente privada. A informação foi divulgada pelo jornal “O Globo”, que procurou a estatal e não obteve resposta. Entre os demais órgãos públicos estão os Ministérios dos Transportes (R$ 100 mil) e da Fazenda (R$ 14 mil). A Caixa Econômica Federal também aparece na lista, com débito de R$ 120 mil, parcialmente vencido. A dívida total da OGX é de R$ 11,2 bilhões. Ao todo, figuram na lista 226 credores, como as telefônicas Vivo (R$ 51,9 mil) e TIM (R$ 34,3 mil) e a agência de notícias Reuters (R$ 26 mil). Nem o estacionamento da Cinelância (R$ 56 mil, já vencidos) e o cafezinho (a Valorização Empresa de Café tem R$ 10 mil a receber) escaparam da relação. A empresa de Eike deve R$ 757 mil ao Serrador Empreendimentos e Participações, dono do edifício Serrador, no Rio de Janeiro, que é sede do grupo. O valor se refere ao aluguel pendente. Além da OGX, outras empresas do grupo de Eike Batista – MMX (mineração), LLX (logística) e OSX (construção naval) – também estão lá. Ainda. Os maiores credores são os detentores de bônus emitidos no exterior (R$ 8,1 bilhões), seguidos pela OSX (R$ 2,4 bilhões). A dívida com a OSX, porém, ainda é questionada pela OGX. O grupo francês Schlumberger é o terceiro maior credor, com R$ 202,9 milhões. Só a filial brasileira tem a receber R$ 88 milhões. Nenhum dos credores da lista têm garantia real. A OGX não tem passivo trabalhista. OGX Maranhão Uma carta na manga da companhia para que os credores aprovem seu plano de recuperação judicial é o acordo firmado entre a OGX e a Eneva, confirmado na manhã de anteontem. O acerto prevê um aumento de capital de R$ 250 milhões na OGX Maranhão, ainda sem data para ocorrer. A alemã E.ON, acionista majoritária da Eneva, vai injetar R$ 50 milhões na empresa, enquanto o fundo Cambuhy, do grupo Moreila Salles, injetará os R$ 200 milhões restantes. Assim, a OGX, que tem 66,7% na sua subsidiária, será diluída, ficando com 36,36%. Essa fatia será, posteriormente, comprada pelo Cambuhy por mais R$ 200 milhões. Ao fim do processo, a OGX Maranhão deixará o grupo e se tornará uma empresa independente, levando consigo oito blocos na Bacia do Parnaíba (MA), onde já há produção de gás. O acordo prevê ainda que a OGX Maranhão pague uma dívida de R$ 144 milhões à OGX. No fim das contas, a petroleira de Eike terá uma injeção de capital novo de R$ 344 milhões, que deverá ser usado para pôr em operação o campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. BNDES Acidente.  O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que o colapso da OGX é um “acidente de mercado” que não deve atrapalhar o projeto de ampliação do mercado de capitais. Principais credores Três maiores credores: 1º Detentores de bônus emitidos no exterior: R$ 8,1 bilhões 2º OSX: R$ 2,4 bilhões 3º Schlumberger: R$ 202,9 milhões Órgãos públicos: Petrobras: R$ 37 milhões (é uma das dez maiores credoras de sua concorrente); Ministérios dos Transportes (R$ 100 mil) e Fazenda (R$ 14 mil) ; Caixa (R$ 120 mil) . Dívida total: R$ 11,2 bilhões , para 226 credores Presidente Eike. Acionistas da OGX ficaram frustrados, na assembleia de ontem, por Eike ter se mantido na presidência do Conselho de Administração, que tem sete membros (incluindo Eliezer Batista , pai de Eike).   Ibovespa cai; OGX sobe No primeiro dia sem as ações da OGX, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou ontem em queda de 0,45%, a 54.013 pontos. O índice foi influenciado pela baixa da Petrobras. Por sua vez, os papéis da OGX chegaram a subir, fora do Ibovespa, 30,76% ao longo do dia, fechando com ganho de 7,69%, em R$ 0,14. As ações da OGX saíram do índice após o pedido de recuperação judicial, na quarta-feira. Recuperação inédita O juiz Gilberto Matos, responsável pelo pedido de recuperação judicial da OGX, terá logo de cara um grande problema jurídico que poderá até causar a recusa do processo. Segundo juristas, o problema é a inclusão de duas subsidiárias no exterior, a OGX International e a OGX Áustria, constituídas em Viena, sob leis austríacas. Eles dizem que é um caso inédito na Justiça carioca, o que demonstra a complexidade do processo. Administrador milionário O administrador judicial nomeado para cuidar da OGX pode receber até R$ 560 milhões por atuar no caso. Pela lei, a remuneração do administrador pode ser de até 5% do passivo da companhia, neste caso de R$ 11,2 bilhões. Mas a hipótese de a indicada receber essa pequena fortuna é remota: a praxe do mercado é definir que, quanto maior o passivo, menor o percentual. O juiz deve escolher uma grande auditoria para a função. Alguns se deram bem Um seleto grupo de investidores, que apostou na bancarrota da OGX com operações ousadas – e caras – de aluguel de ações, ganhou muito dinheiro: retornos de até 40% em menos de 15 dias. A operação, entretanto, não é trivial e é bastante arriscada. Tão misteriosa que nenhum corretor que aceita dar pelo menos algumas pistas de como elas acontecem quer aparecer em reportagens sobre o tema. Pedidos de recuperação subiram Dados da Serasa mostram que, em setembro, dez companhias com faturamento anual líquido superior a R$ 50 milhões lançaram mão do pedido de recuperação judicial para se proteger de cobranças de credores, mais do que o dobro do observado em igual período do ano passado, quando quatro empresas entraram na Justiça com esse mecanismo. No terceiro trimestre, 29 empresas lançaram mão desse recurso, 45% a mais do que em igual período do ano anterior.

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