Livro traz vida e obra de Acácio Videira

Trabalhos do artista que viveu em Contagem são tema do livro “A História de um Acervo”, lançado nesta semana

iG Minas Gerais |

Na juventude, o português naturalizado brasileiro Acácio Videira (1918-2008) recusou-se a seguir as orientações, vindas do pai, para se tornar serralheiro e optou pelas artes plásticas. Porém, não conseguiu terminar o curso, pois foi chamado para servir na Segunda Guerra Mundial. O sonho persistiu e, em meio às batalhas, ele ilustrava postais com nanquim para que colegas enviassem aos familiares. Foi assim que surgiu a carreira de Acácio Videira. Depois disso, foi fotógrafo e curador em Angola até se mudar para Contagem, em 1975. Na cidade, finalizou centenas de esculturas que, juntamente com sua história, dão vida ao livro-catálogo “Acácio Videira – A História de um Acervo”, organizado pelo filho José Manuel Primo Videira. A obra foi lançada na quinta (31), no Centro de Arte Popular da Cemig. “Este livro tem o objetivo de criar um entendimento sobre o contexto em que meu pai vivia e também de valorizar o trabalho dele que, apesar de ser muito rico e único, não tem o reconhecimento que merece”, desabafa o filho e autor do livro. José Emanuel se refere à falta de conhecimento das 350 peças do acervo composto por esculturas de madeira e marfim, máscaras, objetos domésticos e acessórios de magia inspirados na cultura africana, principalmente na comunidade angolana Lunda-Tchokwe. Completam o acervo, 2.000 fotografias que mostram hábitos e rituais de tribos com as quais o artista conviveu. Branco Feliz com a versão final do livro, José vê no pai um artista especial. “Ele é o único branco que retratou tão profundamente a cultura do povo africano por meio de esculturas”, afirma. A família pretende vender toda a obra. “Para fazer uma máscara, o artesão escolhe a madeira e conversa com a árvore, explicando a finalidade do corte. Isolado, ele trabalha no mato e enterra as lascas. Ao criar a peça, pensa em alguém com que tem relações fortes. Essa arte traz forte ligação com o espiritual: o artista passa um espírito ancestral”, destaca José. 

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