Justiça arquiva a investigação de ameaça a Valério

Operador do mensalão denunciou que foi intimidado em Brasília

iG Minas Gerais |

CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Negativa. Paulo Okamotto, à época da denúncia, negou todas as acusações feitas por Marcos Valério
Brasília. A Justiça Federal de Brasília decidiu arquivar a investigação contra Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula e amigo do ex-presidente, por suposta ameaça de morte feita ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza – o operador do mensalão. Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), revelado pelo jornal “O Estado de S.Paulo” no fim do ano passado, Valério afirmou ter sido ameaçado por Okamotto que, se falasse sobre o esquema, seria morto. O pedido de arquivamento da investigação partiu da Procuradoria da República no Distrito Federal para onde o caso foi remetido. O MPF em Brasília considerou que, como o crime de ameaça é punível com pena máxima de seis meses de prisão, o delito prescreveu, segundo a legislação, em três anos. A se considerar a punição a partir da denúncia do mensalão, oferecida em março de 2006 pelo então procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, a prescrição ocorreu três anos depois.“Transcorridos mais de sete anos da data da suposta ocorrência dos fatos investigados até a presente data, forçoso o reconhecimento da extinção da pretensão punitiva estatal”, afirmou a juíza substituta Pollyanna Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal do DF.No depoimento, Marcos Valério afirmou que o mensalão pagou despesas pessoais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. À PGR, ele relatou que Okamotto o procurou pela primeira vez em 2005, dias depois da entrevista concedida pelo então presidente do PTB, Roberto Jefferson, em que o escândalo foi revelado. Okamotto disse, segundo Valério, que o procurava por ordem do petista. Os dois teriam se encontrado primeiro na casa de Eliane Cedrola – segundo Valério, uma diretora da empresa de Okamotto. O emissário de Lula teria pedido que Valério permanecesse em silêncio e não contasse o que sabia.Da segunda vez, o encontro foi na Academia de Tênis, em Brasília, onde Okamotto se hospedava, conforme disse Valério. Foi nessa segunda conversa, cuja data não é mencionada, em que as ameaças teriam sido feitas. Okamoto teria dito que os dois precisavam se entender, caso contrário, Valério sofreria as consequências.“Tem gente no PT que acha que a gente devia matar você”, teria dito Okamotto a Valério, conforme o depoimento prestado no dia 24 de setembro pelo operador do mensalão ao Ministério Público Federal (MPF). “Ou você se comporta, ou você morre”, teria completado Okamotto. Valério disse à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e à procuradora Raquel Branquinho que foi “literalmente ameaçado”. Na ocasião, Okamotto negou as acusações e apenas disse que era papel do MPF investigar.

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