Receita italiana com pitada de pimenta

Fiat Bravo mostra comportamento mais interessante na versão T-Jet, com motor 1.4 turbo e câmbio manual de seis marchas

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Os carros, assim como as pessoas, carregam traços de suas nacionalidades. Os alemães, por exemplo, têm reputação de boa qualidade de construção, enquanto os japoneses são descomplicados e confiáveis. Os italianos, por sua vez, tornaram-se famosos pelo design. Fiel às origens, o Bravo é dono de um visual bem-resolvido, que envelheceu pouco: nem parece que o hatch já soma três anos desde o lançamento no Brasil, em 2010, e seis desde a estreia no país de origem, em 2007. Em termos de estilo, a versão esportiva T-Jet é a mais chamativa, com grandes rodas aro 17 e faixas adesivas na base das portas, adorno que foi adotado na linha 2014. Porém, o maior apelo do T-Jet não é o visual, e sim o conjunto mecânico, importado da Europa, formado pelo câmbio manual de seis marchas e pelo propulsor 1.4 16V turbo, capaz de gerar 152 cv de potência a 5.500 rpm e 21,1 kgfm de torque a 2.250 rpm. Com a tecla Overbooster acionada, o valor sobe 23 kgfm, porém, em rotação um pouco mais elevada, a 3.000 rpm. Acelerando Dirigir o Bravo é uma experiência prazerosa.[INTERTITULO] [/INTERTITULO]O T-Jet vai mostrando do que é capaz à medida que o motorista pisa no acelerador. O modelo mostra-se preguiçoso abaixo de 2.000 rpm, quando o turbocompressor ainda não está em ação. Nessa faixa de giro, as respostas são lentas, longe de qualquer esportividade. Porém, daí para cima, o hatch adquire outra personalidade: o propulsor passa a ganhar fôlego rapidamente e as reações ao pedal da direita tornam-se imediatas. Ademais, o câmbio tem engates bastante macios e precisos, na medida para uma tocada mais estimulante. O Bravo fica mais arisco com a tecla Over Booster acionada, pois a assistência da direção diminui, o acelerador fica mais sensível e a pressão do turbo sobe de 0,9 para 1,3 bar. Uma boa notícia é que a performance não implica em consumo exagerado de combustível. Nas mãos do Direção, o modelo fez médias de 9,0 km/l na cidade e 11,1 na estrada. Porém, vale lembrar que o motor só bebe gasolina. A Fiat desenvolveu um acerto de suspensão específico para o Bravo T-Jet (posteriormente aplicado também à versão Sporting), com molas e amortecedores mais rígidos, para melhorar a estabilidade. De fato, ele encara curvas com mais disposição que os irmãos. A contrapartida fica por conta da transferência das imperfeições do piso para o habitáculo, principalmente em trechos malconservados, mas essa característica é coerente com a proposta esportiva da versão. Um ponto que exige cuidado é a pouca altura da dianteira: o T-Jet é 2 cm mais baixo que o restante da linha e raspa a frente com facilidade em valetas e rampas de garagem. Turbinado que não abusa do bolso do comprador O design que marca o exterior do Bravo também se faz presente no interior, tornando o habitáculo agradável. Porém, além do design harmonioso, os carros italianos são célebres pelo bom aproveitamento do espaço, e nesse ponto, o hatch não faz jus à nacionalidade. Os dois ocupantes da frente não têm do que reclamar, mas os de trás viajam sem folga, com vãos para cabeça e pernas um tanto acanhados. Além do mais, devido à linha de cintura elevada, as janelas traseiras são pequenas e causam sensação de confinamento. Por outro lado, todos são protegidos por cintos de três pontos e encostos de cabeça. A turma do fundão tampouco reclamará de calor, pois há um difusor de ar só para ela. O motorista senta-se em posição agradável, para a qual colabora o volante regulável em altura e profundidade, com ótima pegada. O banco do motorista também conta com o ajuste vertical, de modo que pessoas de diversas estaturas não têm problemas para encontrar a melhor posição. O que compromete é a visibilidade bastante limitada para trás, devido às pequenas dimensões do vidro vigia. Felizmente, os sensores de estacionamento dão aquela ajuda na hora de manobrar. O acabamento é bom, com superfícies emborrachadas no painel e peças plásticas encaixadas caprichosamente. A ergonomia também agrada, com fácil acesso aos instrumentos. O sistema multimídia RadioNAV, que a Fiat vende como opcional, inclui GPS e compatibilidade com celulares, mas é pouco intuitivo de usar, pois o manuseio se dá por meio de botões. Cairia bem uma tela sensível ao toque, para facilitar a operação. Por meio do display do computador de bordo, é possível monitorar o funcionamento do turbocompressor. Sob controle A versão T-Jet é esportiva, mas também é a top de linha. Portanto, vem com vários equipamentos de série, incluindo controles eletrônicos de estabilidade e tração, para conter os motoristas mais abusados, e o hill-holder, que evita que o carro desça em arrancadas na subida. Há ainda ar-condicionado com duas zonas de temperatura e teto solar elétrico, além de airbags frontais, ganchos Isofix para fixação de cadeirinhas infantis e freios ABS. A Fiat oferece uma extensa lista de opcionais, que inclui airbags laterais e do tipo cortina, bancos revestidos em couro e sistema de monitoramento da pressão dos pneus. Básico, o modelo custa R$ 68,5 mil, mas, com todos os opcionais, o valor sobe para estratosféricos R$ 83,7 mil.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave