Uma mistura de muitos sabores sonoros

Evento traz a Minas Gerais, pela primeira vez, atrações internacionais de peso como Red Hot Chilli Peppers

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

Felipe Dana
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Pela primeira vez se apresentando em Minas Gerais, a banda californiana Red Hot Chilli Peppers é o maior destaque na programação do Circuito Banco do Brasil, festival que prevê reunir 40 mil pessoas amanhã no Mega Space, com lotação esgotada do espaço. Apesar das mais de três décadas de atividades, entre discos irregulares, trocas de integrantes e os problemas pessoais sérios- – parte deles envolvendo dependência de drogas – pode-se dizer que a qualidade criativa do grupo segue preservada. O último disco, “I’m With You”, de 2011, marca a estreia do novo guitarrista Josh Klinghoffer (substituindo o mitológico John Frusciante) e equilibra bem o senso pop com a visada funk rock que os pimentas sempre impuseram em suas canções. A influência do grupo é nítida no pop brasileiro, especialmente a partir dos anos 1990. O Rappa, que também se apresenta no festival, é um dos grupos “tocados” pelo som dos californianos. “Red Hot é uma referência justamente por ter ido pelo caminho da mistura e ter conseguido fazer essa união entre o funk e rock com identidade própria”, assume Marcelo Falcão, vocalista do grupo. Ele, assim como boa parte dos fãs, também destaca a presença do baixista Flea, referência eterna do instrumento. “Para quem gosta do ‘bass’, seja vindo do dub, seja vindo do funk, como eu gosto, o Flea é um capítulo a parte”, diz. O Rappa aliás vem se acostumando a dividir o palco com grandes nomes internacionais. Uma chance não apenas de enriquecer o currículo, mas também de aflorar o lado fã. “Sempre que dá, a gente vai curtir os shows de artistas que a gente gosta e que tocam no mesmo evento. Foi assim com Foo Fighters, Jane’s Addiction e Racionais no primeiro Lollapalooza (realizado em São Paulo, ano passado) e com Black Sabbath lá em Chicago (quando o grupo tocou na matriz norte-americana do evento).” Na bagagem, além dos hits “levanta-multidão”, o Rappa chega com seu recém-lançado disco, “Nunca Tem Fim”. “Quando sai um disco você vive uma fase de querer tocar as coisas novas como se fosse o primeiro show da sua vida”, ri o cantor. “Mas a gente sabe também que a banda tem uma história de 20 anos e que as pessoas foram se conectando a essa história ao longo do tempo. É por isso que o show mistura várias momentos desses anos de estrada”, antecipa. Garotas. Outro destaque na programação é a presença forte e feminina de dois destaques da música pop atual, aqui e lá fora. O barulho causado pelo grupo norte-americano Yeah Yeah Yeahs é justificado por suas guitarras , seus hits como “Maps” e “Y Control”, e, claro, pela charmosa vocalista Karen O, espécie de ícone fashion para garotas indies em todo o planeta. No limite do sul do Equador, teremos Gaby Amarantos, a rainha do tecnobrega paraense e também referência extra-musical para a nova geração. Será que Amarantos vai aproveitar a chance para trocar figurinhas (e figurinos, quem sabe?) com a colega gringa? “Acho massa se acontecer. Artistas acabam se conectando, de alguma forma”, diz, exemplificando até onde o regionalismo exposto em seu trabalho pode chegar. “Estava vendo um clipe da Katy Perry, que parece que tinha sido todo filmado na Amazônia. Uma coisa louca, e fico pensando que a gente deveria dar mais valor para as nossas coisas”, afirma. Aproveitando o palco mineiro, ela convida uma “querida amiga” para participar do show: Fernanda Takai. “Nos conhecemos na posse da Dilma, um show onde representávamos, cada cantora, uma região do país”, lembra. “Daí a convidei para convidei pra participar do meu disco”. O show no festival deve incluir essa parceria, a canção “Pimenta e Sal”. “E mostraremos mais duas surpresas”, esconde.

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