Revirar a própria gaveta em busca de soluções

Radicada em BH há seis anos, Camila Morena da Luz mostra trabalho que narra a angústia de não pertencer a esse lugar

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

CAMILAMORENA
Espetáculo estabelece um diálogo entre temas pessoais e universais
A tarefa de se dividir o palco solitário, não parece assustar tanto os artistas de agora, levando em conta principalmente a crescente produção de espetáculos solo ou monólogos que se vê na cena teatral da cidade atualmente. Pelo contrário, o desafio parece estimular produções que contam com essa caráter pessoal para tratar de temáticas universais que extrapolem a própria vida dos artistas. Dessa forma, buscando dividir sua solidão cênica com o público, estreia o espetáculo “(Gaveta)”, de Camila Morena da Luz. A peça integra a programação da BH in Solos – Mostra de Espetáculos Cênicos Individuais. “São vários desejos e angústias reunidos em um momento específico da minha vida, desde o ano passado: esse eterno desejo de sair de Belo Horizonte, essa sensação de não pertencimento, essa berlinda, um momento de decisão”, comenta a atriz brasiliense, que vive há quase seis anos em Belo Horizonte. Sozinha em cena, Camila encontrou parceiros que a ajudaram muito fora dela. Joaquim Elias na direção, o amigo Jonathan Andrade é responsável pela dramaturgia fragmentada e Rogério Alves confeccionou o principal adereço do cenário: uma gaveta que comporta a atriz. “Eis aí uma das questões do espetáculo. Cabe ou não cabe na gaveta? Geralmente, nós queremos a gaveta do outro. Esse trabalho é um mergulho em questões pessoais que são universais: o desejo de pertencer, essa solidão, esse eterno sentimento de incompletude, de querer ser o outro”, pondera Camila. Rodeada por tantas angústias e questões, a atriz celebra a força do teatro. “É a oportunidade de poder falar sobre esses assuntos através da arte. São ingredientes de uma mesma receita e é bom poder falar com o público sobre todos eles”. Serviço. Estreia de “(Gaveta)” de Camila Morena da Luz. Amanhã e domingo, às 20h, no Esquyna – Espaço Coletivo Cênico (rua Célia de Souza, 571, Sagrada Família). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia).

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