O paraíso de cada um de nós

Coletivo Bomba Suicida abre hoje a programação do FID, que busca diálogo com a realidade local de cada artista

iG Minas Gerais | GUSTAVO ROCHA |

HERVÉ VERONÉSE/DIVULGAÇÃO
Explosivo. Grupo português traz a Belo Horizonte espetáculo no qual retrata várias visões de paraíso
Para falar sobre o trabalho do coletivo Bomba Suicida, de Portugal e Cabo Verde – que abre hoje a programação do décimo oitavo Fórum Internacional de Dança – FID, com o espetáculo “Paraíso – Colecção Privada”, às 21h, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, a diretora artística Adriana Banana evoca a obra do pintor holandês Hieronymus Bosch e a compara com o trabalho da Bomba Suicida: “É um descontrole em detalhes minuciosos”. Questionada se tal coisa é possível, Adriana é taxativa: “São dessas ‘desconstruções’ sociais que falamos na arte. Essas associações falsas. O descontrole é sempre associado a coisas negativas. O ‘Paraíso’ traz isso com um trabalho muito bem-feito, parece um mosaico, uma obra do Barroco. O descontrole, proposto por eles, e a minuciosidade só são contrastantes por conta dessas metáforas sociais que criamos. Por exemplo, com nossos corpos, as cores preta e branca, o plano alto e baixo etc”, antecipa ela. A Bomba Suicida se notabiliza por trabalhar com linguagens variadas para conceber seus trabalhos e reunir artistas ao seu redor. Foi criada por artistas provenientes das artes performativas contemporâneas. Esses artistas mantêm uma personalidade artística e pessoal distintas, ainda que todos partilhem de um espírito coletivo comum. O espetáculo “Paraíso – Colecção Privada” trata da construção de um lugar imaginário da gênese cristã e suas diversas interpretações. “É como se fosse um mosaico de elementos contraditórios construídos por uma poética. Passamos pelas obras de vários artistas. Boticelli, Luis Buñuel, Salvador Dali, ‘Yellow Submarine’ dos Beatles, por exemplo. A ideia é como uma brecha, uma porta para a imaginação. Nós tratamos o paraíso livre de qualquer forma ou de identidade. Mostramos que essa concepção de paraíso é algo inventado e também podemos inventar o nosso”, comenta a coreógrafa Marlene Monteiro de Freitas, formada na escola de dança P.A.R.T.S, situada na Bélgica, com a aclamada coreógrafa de dança contemporânea Anne Teresa De Keersmaeker, do grupo Rosas. “Paraíso – Colecção Privada” é um concerto coreográfico pelo jardim da imaginação, pontuado por elementos dissonantes, heterogêneos, talvez estranhos, eventualmente inquietantes, é uma máquina de emoções onde podem ocorrer encontros fortuitos com alfinetes. PROGRAMAÇÃO. O público de Belo Horizonte poderá conferir dentro da programação do Fórum, além de “Paraíso – Colecção Privada”, “A Primeira Dança de Urizen”, com Luís Guerra e “Guintche” de Marlene Monteiro de Freitas. O Fórum traz coletivos e artistas renomados e outros de centros pouco tradicionais no campo da dança contemporânea. Dos “famosos”, destaque para o canadense Benoît Lachambre, que volta a Belo Horizonte e ao FID com “Snakeskins”. Dos “menos conhecidos”, vem de Moçambique Panaibra Gabriel Canda com o espetáculo “Tempo e Espaço: Os Solos de Marrabenta”. Carla Lobo, diretora de produção do FID, enxerga na programação desta edição uma característica comum às primeiras: “Adriana retorna às suas origens. Ela voltou a assumir o risco de se trazer coisas que ninguém jamais viu”, diz. Adriana não se mostra preocupada com o risco do novo, “Não tenho receio, medo de como o público vai receber. O meu desejo é sempre de provocar. As pessoas parecem estar mortas-vivas. E outra, você nasceu falando português, já sabia falar, conhecia matemática? Não! Você aprendeu isso no decorrer da sua vida. Portanto, se aprende a ver as coisas e a gostar. Tudo que é estranho é aquilo que não se tem conhecimento”, garante a diretora. Programe-se A agenda do FID , de hoje ao dia 10, traz espetáculos de Moçambique, Portugal, Canadá, Brasil, Cabo Verde e Israel. Toda a  programação e locais dos espetáculos estão site: www.fid.com.br Os ingressos  custam R$4 e R$2 (meia-entrada) Agenda O quê. “Paraíso - Colecção Privada”, abertura do FID Quando. Hoje e amanhã, às 21h Onde. Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (avenida Afonso Pena, 4.001, Cruzeiro) Quanto. R$4 e R$2 (meia-entrada)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave