Fórum busca um caráter de permanência

iG Minas Gerais | GUSTAVO ROCHA |

CUIA GUIMARÃES
Adriana Banana, diretora artística do FID desde a primeira edição
Adriana Banana se embola (ou seria se embanana?), ao responder sobre quais são os temas mais abordados pelos espetáculos da programação do Fórum Internacional de Dança – FID, dada a multiplicidade de caminhos. “É bom conversar com vocês, da imprensa, porque a gente passa a pensar em coisas de que não tinha se dado conta ainda”, diz. Responsável pela direção artística do FID e por sua programação, ela garante que os espetáculos são bastante variados e não há uma temática que necessariamente tenha direcionado a escolha desses trabalhos. Mas logo ela volta atrás e identifica, sim, um aspecto comum a todos que virão ao FID de 2013: “São espetáculos que não fazem concessões e mostram o artista ligado à sua realidade. A dança é mostrada como uma espécie de conhecimento, o artista como fruto desse meio que o forma e com um corpo que reflita essa formação”, avalia. O FID de 2013, além da mostra de espetáculos que vai de hoje ao dia10, se divide em outras três frentes: FID Território Minas, FIDinho e FID Circulando Grande BH. Adriana explica que o Fórum tenta extrapolar esse caráter de evento. “Há uma ditadura do mercado que já seleciona um certo formato: aquele que dá mais visibilidade. Belo Horizonte é uma cidade que tem em sua agenda uma série de eventos durante quase todo o ano, mas o que fica pra cidade? Queremos uma relação que seja permanente, que não seja apenas essa do evento. Por isso, investimos em outras frentes”, afirma. O FID Território Minas foi criado com a finalidade de fomentar a dança em Minas Gerais através de diversas formas como bolsas de pesquisa, oficinas, imersões, apoio para apresentações, coproduções, intercâmbio entre grupos e artistas, laboratórios e outras ações. Dentro desse projeto, Tuca Pinheiro, um dos coreógrafos mais importantes na cena da dança na cidade, estreará seu trabalho “HYENNA – Não Deforma, Não Tem Cheiro, Não Solta as Tiras”. Para esse trabalho, Tuca foi a campos de concentração nazistas, Birkenau e Auschwitz, para testemunhar os restos de humanidade que ali estão, mas também o que já é excesso. Isso para pensar no hoje, em nossos restos, nos restos da dança, da nossa dança. O FIDidinho é uma programação dedicada especialmente às crianças e já existe desde 2008, graças à enorme adesão do público infantil ao Fórum. Já o FID Circulando Grande BH, nascido em 2005, dá continuidade às suas ações de difusão, descentralização, democratização e acesso à cultura da dança na cidade com espetáculos e documentários gratuitos de dança levados para diversos bairros da região metropolitana de Belo Horizonte. Futuro. Feliz com mais uma edição do Fórum, que segundo ela própria, “começa agora só pra vocês, eu já estou pensando no próximo”, Adriana não vê a hora de “passar o bastão”: “Eu espero que ao chegar aos 18 anos de vida, o FID consiga formar pessoas que façam o que eu faço há tanto tempo, desde o início. Eu estou cansada, quero voltar ao meu trabalho artístico. Não só isso, precisamos de outras visões de mundo, de arte, de visões de outras pessoas, basicamente”, completa a diretora, bailarina e coreógrafa.

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