A MPB4 encontra o bolerão

Um dos grupos mais tradicionais do país, o MPB 4 mostra o show “Contigo Aprendi” , hoje à noite, no Sesc Palladium

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

ricardo tate/divulgação
União. Os cantores Miltinho Santos, Aquiles Reis, Dalmo Medeiros e Paulo Malaguti são os membros da formação atual do MPB4
A exemplo de todo bom bar, o MPB4 exibe, orgulhosamente sua safra em seu site oficial: “Desde 1965”. Ou seja, muitas garrafas já foram derrubadas nessa jornada e até um companheiro, Magro, pediu a saideira cedo demais em 2012. “É uma marca bonita”, comemora Miltinho, membro da formação original do grupo. “São quase 50 anos e enquanto a gente puder cantar, apesar dos obstáculos, como a saída de Ruy Faria (em 2004) e a morte do Magro, conseguimos superar tudo. Temos esse objetivo, essa missão de perpetuar os arranjos do Magro, buscar essa permanência, defender o vocal brasileiro”, afirma. Ou, como ele diz, o grupo é uma “bebida que passa de pai para filho”, literalmente, já que os primogênitos estarão acompanhando os pais hoje, no show “Contigo Aprendi”, no palco do Sesc Palladium. Marcos Feijão, filho de Miltinho, na percussão e bateria, e Pedro Reis, filho de Aquiles, no bandolim e guitarra, fazem as bases para um dos grupos vocais mais conhecidos e longevos do país. O disco, lançado no ano passado é a base da apresentação, e trata-se de uma viagem sentimental rumo ao período pré-MPB 4. Trata-se de uma compilação de clássicos boleros, versionados do espanhol (a língua oficial do gênero) para o português por diversos convidados, como Caetano Veloso, Carlos Rennó, Hermínio Belo de Carvalho, Fernando Brant, dentre outros. É a música que eles ouviam no rádio dos pais, em festinhas, nas serenatas para as meninas de Niterói (cidade base do grupo), uma página importante na música brasileira, antes da Bossa Nova, em que as alegrias e, principalmente, as tristezas eram entoadas por vozes fortes como Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Ângela Maria e Altemar Dutra. Um material que não estava presente na gênese do grupo, aliás. “No início era uma coisa bem radical, nos propusemos a fazer só musica brasileira”, situa Miltinho. “Hoje, olhando para trás, percebemos que construímos uma formação musical bem eclética e diferenciada”, diz Miltinho. “A proposta era fazer exclusivamente música brasileira. Com o tempo fomos amolecendo, crescendo e evoluindo”, diz. E mesmo lá atrás, os “bolerões” eram lembrados pelo grupo em shows. “Meio em tom de brincadeira, de sacanagem, era uma coisa teatral. O Rui mesmo tinha um conjunto de bolero antes do MPB4. Mas, de uns cinco anos para cá, fomos amadurecendo a ideia de fazer um disco dedicado somente a eles”, explica. Outra questão se tornou fundamental para resolver o projeto: o idioma. “Um cara cantando errado fica até simpático”, nota Miltinho. “Mas quatro pessoas, fica horroroso”, ri. “Não nos damos muito bem em outras línguas. Uma vez gravamos ‘Because’ dos Beatles, fizemos Bee Gees outra vez, e todos os amigos sacanearam muito a gente. Então preferimos não arriscar”, conta A emenda, no caso, saiu melhor do que o soneto: chamaram amigos compositores para fazerem versões inéditas de boleros clássicos, como “El Reloj”, “Quizas Quizaz Quizas” , “La Barca” e a faixa-título. Outro detalhe importante foram os arranjos musicais. “Queríamos fazer uma coisa bonita, rebuscada. A ideia original era fugir da formação tradicional dos boleros, com teclados, muita percussão e fazer o disco inteiro com o Duofel (dupla paulista de violões). Mas por problemas de agenda, não conseguimos. Então, em vez de apenas um especialista de cordas, chamamos vários e dividimos as canções entre eles”, explica. Assim, o disco traz o auxílio luxuosíssimo de nomes como Toninho Horta, Quarteto Maogani e Trio Madeira Brasil.   Em paralelo Apesar de Miltinho  dizer com orgulho que o grupo vive há 50 anos “exclusivamente de música”, eles não se furtam em fazer trabalhos por fora. Ele assina produções de outros artistas; Aquiles é responsável por um programa de rádio, o “Gogó de Aquiles”. Agenda O QUÊ. MPB 4 lança CD “Contigo Aprendi” QUANDO. Hoje, às 21h ONDE. Teatro Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 - centro) QUANTO. R$50 (inteira) R$25 (meia)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave