Embaixadas da Ásia funcionam como ‘pontos de coleta’ dos EUA

Segundo Snowden, documentos mostram que muitos funcionários não sabiam o que ocorria

iG Minas Gerais |

Life News / Reprodução
Edward Snowden foi fotografado em passeio turístico em Moscou
Pequim, China. Os governos da China e de países do sudeste asiático exigiram ontem explicações dos Estados Unidos e de seus aliados após denúncias, divulgadas por meios de comunicação, de que embaixadas norte-americanas e australianas na região estariam sendo usadas por Washington como centros de coleta de dados secretos. As acusações ocorrem em meio a protestos internacionais sobre alegações de que os Estados Unidos espionam as comunicações telefônicas de 35 líderes mundiais. Documentos divulgados por Edward Snowden, ex-analista terceirizado da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), e publicados nesta semana pela revista alemã “Der Spiegel” descrevem um programa de inteligência chamado “Stateroom”, pelo qual as embaixadas dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá abrigariam secretamente equipamentos de vigilância para coletar comunicações eletrônicas. Esses países, juntamente com a Nova Zelândia, teriam um acordo de compartilhamento de informações de segurança conhecido como “Five Eyes” (cinco olhos). “A China está muito preocupada com esses relatos e exige esclarecimento e explicações”, afirmou a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Hua Chunying. A empresa de comunicação australiana Fairfax publicou ontem que as embaixadas da Austrália envolvidas na coleta de dados são as instaladas em Jacarta, Bangcoc, Hanói, Pequim e Díli, no Timor Leste, além das Altas Comissões em Kuala Lumpur e Port Moresby, na Papua Nova Guiné. A matéria da Fairfax, que teve como base documentos da revista alemã “Der Spiegel” e entrevistas com ex-agentes de inteligência, diz que essas embaixadas são usadas para interceptar ligações telefônicas e dados de internet em toda a Ásia. Em comunicado, o ministro de Relações Exteriores da Indonésia, Marty Natalegawa, disse que seu governo “não pode aceitar e protesta veementemente contra as informações sobre a existência de instalações de escuta em Jacarta”. Segundo os documentos divulgados por Snowden, os locais de espionagem têm tamanho e pessoal reduzidos. “Eles são disfarçados e sua verdadeira missão não é conhecida pela maioria do pessoal diplomático na instalação onde trabalham.”

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