Aluno ruim não terá república

Estudantes da Ufop não poderão ficar em residências universitárias caso tirem notas baixas

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Aprovação. Alunos da universidade federal aprovam ações de controle após mortes de estudantes, em 2012
Quase um ano após a morte de dois estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que abusaram de bebidas alcoólicas durante festas em repúblicas da cidade, a reitoria da instituição de ensino vai adotar um novo modelo de seleção e acompanhamento dos universitários que moram nas repúblicas federais – isentas de pagamento e mantidas com verba da universidade. A partir do próximo semestre, alunos que tiverem notas baixas reincidentes, segundo o coeficiente de avaliação da universidade, vão perder o direito à moradia gratuita. Atualmente, os cerca de 10 mil alunos da universidade são avaliados de acordo com um índice de zero a dez, que é calculado segundo as notas de todas as disciplinas cursadas. Os estudantes que tiverem índice igual ou inferior a 5 por dois semestres consecutivos vão perder o direito de moradia e terão 30 dias para desocupar a república. Caso o aluno tenha o desempenho insatisfatório apenas uma vez, ele será orientado a fazer cursos e workshops de reforço. “Nossa ideia é incentivar o aluno a recuperar a nota e entender o porquê do baixo rendimento, mas os cursos não serão obrigatórios. A ideia é atrair o estudante para um ambiente mais agradável com aulas sobre convivência em grupo, por exemplo, para assim conseguirmos uma conscientização não só sobre o álcool”, informou Camélia Vaz Penna, coordenadora de Assuntos Estudantis. Particulares. A medida, no entanto, é válida apenas para as 79 repúblicas federais e exclui outras 300 repúblicas privadas da cidade. Para Victor Teixeira, presidente da Associação das Repúblicas Federais de Ouro Preto (Refop), não é possível regular todas as repúblicas. “É muito difícil porque existem muitas particulares que sequer têm placa. Mas o exemplo das federais vai servir para as outras”, disse. Para a estudante de publicidade Érika Silva, 22, as mudanças têm surtido efeito. “Muita gente vê Ouro Preto como referência para bebidas alcoólicas. É claro que as pessoas vão continuar a beber, mas a conscientização está mais forte agora”, afirmou.

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