O adeus ao bom-moço

iG Minas Gerais |

Ilustração Hélvio
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Eu ia escrever sobre o filme “Diana”, no qual Naomi Watts representa a princesa do povo muito bem, com aquele britânico olhar inocente e aquela gentileza e ternura pulsantes, só pra falar sobre privacidade. A carismática figura pública traída pela alteza real e destemida a ter uma vida amorosa normal longe dos holofotes era alvo tão obsessivo dos paparazzi europeus que teve uma morte trágica fugindo deles. Um prato cheio para discussão até hoje, mas tem outro assunto rolando na mídia que exemplifica de forma mais atual essa questão. É que o “casal família feliz de comercial de margarina”, enfim, se desfez. Em meio a boatos de traição, os queridinhos e unânimes Cauã Reymond e Grazi Massafera não formam mais o imaginário coletivo de intocáveis exemplos de casal para a sociedade. E o que você tem a ver com isso? Absolutamente nada! Foi assim com Diana e Charles na década de 90, e vai ser assim com qualquer celebridade nacional ou internacional enquanto você estiver vivo aí para ler, ouvir e contar histórias. No caso de Grazi e Cauã, o bafafá está tomando tamanha proporção (nada comparado à família real, que fique bem claro isso), que o ator anda abrindo a boca pra falar besteira. Justo ele que, quem me conhece sabe, o defendo a torto e a direita por achar que é muito mais que um rostinho bonito na TV. Na sua primeira aparição pública sem aliança (os fotógrafos estavam lá para flagrar isso mesmo), Cauã confirmou que não se separou de Grazi, pediu respeito pela filha Sophia de apenas 1 ano e negou envolvimento com outro xodozinho nacional, a atriz Isis Valverde – com quem já gravou e fará par na nova série global, que, por ironia do destino, chama-se “Amores Roubados”. Porém, para fechar o assunto de modo sucinto e surreal, o galã compara o seu caso na imprensa com o da Escola Base, de 1994. Poxa, peraí... Que o brasileiro e o povo do mundo inteiro gostam de falar da vida alheia, não sabem separar o que é público do que é privado, e idolatram a vida de celebridades, isso é indiscutível. Mas fazer alusão a um caso histórico de erro da imprensa a algo tão particular e que já está na cara da sociedade é, no mínimo, narcisismo puro. O caso da Escola Base ficou famoso como exemplo de como a mídia pode ser nociva ao afirmar algo sem provas. Na época, a imprensa deu voz às mães dos alunos que acusavam os funcionários de abusar sexualmente das crianças. Depois, as acusações se mostraram infundadas, mas a reputação do local e dos envolvidos já estava comprometida. Por mais que a vida particular dele realmente só pertença a ele, e por mais que nós continuemos a confundir o público com o privado sempre, é a imagem dele que, pra mim, já ficou comprometida. As acusações podem ser até infundadas com relação à traição com Isis, mas a Grazi está lá, sentida, apagando do Instagram todas as fotos com o ex-marido. Ou seja, algo aconteceu. E, querendo ou não, a fama de bom-moço já foi por água abaixo. Há de se fazer de bom-moço e aceitar tal situação. As boas más línguas de umas e outras Reiperts por aí dizem que eles estão segurando o casamento até hoje por contratos de publicidade e por serem mais rentáveis juntos, já que formam aquele belo casal do imaginário. Se isso for verdade, soma-se mais um motivo escracho de se vender uma imagem que, na realidade, já se perdeu. O que é repugnante. O bom dessa história toda é o que eu já falei: você não tem nada a ver com isso. Mas o melhor ainda está por vir: você vai continuar seguindo os dois igual novela, mas sem direito a final feliz.

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