Dinheiro é o que fala mais alto para a felicidade no trabalho

Segundo pesquisa, medo de confessar que grana é essencial faz parte do passado

iG Minas Gerais | ANDERSON ROCHA |

Australian Childhood Foundation
Ambiente. Por meio de discussões em grupo e entrevistas, os analistas chegaram a conclusões sobre o que os torna felizes onde trabalham
Dinheiro não traz felicidade, mas compra. Pelo menos, no trabalho. Essa é uma das constatações de uma pesquisa feita com líderes, gestores e profissionais de outros cargos em indústrias, comércio e serviços. De acordo com o estudo do Ateliê de Pesquisa Organizacional, para 78% dos entrevistados (todos com salários médios entre R$ 50 e R$ 300 mil anuais, de São Paulo e Rio de Janeiro), ser feliz na empresa está diretamente ligado à boa remuneração alcançada.   O gerente de projetos Allan Oliveira, 27, morador de Pará de Minas, na região metropolitana de Belo Horizonte, concorda. Para ele, em alguns momentos da carreira é normal estar em um trabalho desagradável ou em que discorda da cultura organizacional. Mesmo assim, isso não configura motivo para demitir-se ou ficar infeliz. “Se o lado financeiro é o que te satisfaz mais e ele está bom naquele local, você acaba passando por cima do que te incomoda e fica (na empresa)”, afirma. “Hoje, no mundo ocidental contemporâneo, independentemente de quem é esse trabalhador, onde trabalha, suas origens e expectativas profissionais, não há mais medo ou vergonha de afirmar que o dinheiro que recebe é o fator mais importante”, acredita Suzi Cortoni, diretora do Ateliê de Pesquisa Organizacional. Por meio de discussões em grupo e entrevistas, os analistas chegaram a conclusões sobre o que os torna felizes nos locais em que trabalham. A grana desponta como fator de felicidade (veja gráfico). Nem sempre. A pesquisa citada está atrelada aos ofícios gerenciais – nível em que normalmente há cargos mais altos e profissionais que, muitas vezes, valorizam mais o poder aquisitivo (além da hierarquia e a vaidade) do que a qualidade de vida, destaca a psicóloga Sheyla Almeida, especialista em gestão de pessoas e mestre em administração. Porém, segundo ela, essa não é a realidade da maioria da população. “Nem todo mundo é chefe e nem todo mundo precisa ser para ser feliz. Os demais cargos, o restante da sociedade, como professores, enfermeiros, policiais etc., precisam de outros fatores para se sentirem satisfeitos. Um dos principais é o reconhecimento diário, como o ‘muito obrigado’, o reconhecimento do trabalho bem-feito e das suas competências”, afirma a especialista. A insatisfação no trabalho, de acordo com a pesquisa, está relacionada às disputas e pressões internas, a um ambiente tenso, colegas fingidos, doenças, pouco tempo para coisas pessoais, ausência de reconhecimento e líderes inadequados, entre outros fatores. Porém, pelo menos no nível dos empregados gerenciais, a infelicidade é para poucos (apenas 7%). Segundo Sheyla, a sensação de bem-estar no emprego está relacionada à percepção individual e à relação que cada pessoa tem com o trabalho, ou seja, o que almeja, quais são suas ambições. A especialista afirma que há três fatores que influenciam na decisão de deixar uma vaga ruim: “o salário, a oportunidade de crescimento na organização e o clima de trabalho. Se dois deles estão ruins, é hora de mudar”, finaliza. Da mesma forma, se dois deles estão bons, excelente. Depressão Excesso . Estudo britânico com 2.123 funcionários públicos constatou que quem trabalha ao menos 11 horas por dia tem duas vezes mais chances de desenvolver depressão que os que trabalham menos. Novo livro aborda a relação - O livro “Happy money: the science of smarter spending” (Dinheiro Feliz: a Ciência de Como Gastar Melhor, em tradução livre), lançado recentemente nos EUA e ainda sem versão em português, aponta que dinheiro compra felicidade. - Segundo os autores, Elizabeth Dunn e Michael Norton, o dinheiro precisa ser bem-usado. - Os escritores dizem que as escolhas que as pessoas fazem sobre seus gastos desencadeiam uma série de efeitos biológicos e emocionais. - Assim, fazer viagens, pagar integralmente um produto antes de usá-lo e ajudar os outros são, segundo os autores, formas de usar o dinheiro para ser mais feliz.

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