Faculdades terão que se adaptar

Instituições de ensino têm desafio de formar pessoas que não saiam obsoletas para o mercado

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Credito: Femsa/Divulgacao
Adaptação. Salvador Alva diz que cursos terão que ser menores e atender às demandas do mercado
Monterrey, México. As rápidas mudanças tecnológicas e no mercado de trabalho colocam diante das instituições de ensino o desafio de formar profissionais que não sairão obsoletos das salas de aula. A avaliação é do reitor do Sistema Tecnológico de Monterrey, no México, Salvador Alva. “Temos que preparar estudantes para empresas que ainda não existem, para usar tecnologias que ainda não foram desenvolvidas e para resolver problemas que não detectamos ainda”, afirma. Ele diz que 75% das empresas que integrarão, em 2027, o ranking das 500 maiores corporações do mundo, elaborado anualmente pela revista “Fortune”, ainda não existem. Segundo ele, esse movimento de criação de novas empresas, empregos e até mesmo funções que ainda não existem vai gerar oportunidades de US$ 15 trilhões nos próximos dez anos no mundo. Ele acredita que para se adaptar a esse novo modelo de negócios, mais veloz e com mais demandas, as instituições de ensino e as próprias empresas terão que criar cursos menores e voltados diretamente para as demandas do mercado de trabalho. “Hoje, as universidades têm um pacote de coisas e, quando se forma, o profissional usa apenas algumas. Outras já estão ultrapassadas depois dos quatro anos de curso. O novo modelo será tomar o conhecimento conforme a necessidade”, afirma ele. Alva explica que o diploma universitário não será substituído ou eliminado, mas haverá, em breve, outras alternativas para quem busca uma qualificação profissional, mas não quer ou não pode dedicar quatro ou cinco anos a uma faculdade tradicional. Ele lembra que, no mundo, apenas uma em cada quatro pessoas conclui uma faculdade. No Brasil, a média é de 34%, no México, 24%. Em países como Estados Unidos e Japão o índice sobe muito e chega a 70%. Segundo Alva, um profissional formado diretamente para as necessidades do mercado recebe 30% menos do que um com diploma universitário. “Formamos pessoas para que sigam adiante. Alguns vão fazer negócio, outros vão seguir adiante”, diz o reitor do Tec 21, programa de formação profissional, David Noel. O Sistema Tecnológico de Monterrey, mantido pela Femsa, está em 33 cidades e oferece também cursos à distância, alguns realizados em parceria com outras instituições de ensino. “Muita gente deixa de estudar porque não pode dedicar quatro anos a uma universidade. Com esses cursos, em seis meses, a pessoa tem competência para buscar um emprego”, afirma Alva. Os cursos também servem como especialização para profissionais já formados em universidades, mas que precisam atualizar seus conhecimentos para se adaptar ao ritmo do mercado. Viajou a convite da Femsa

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