Um artista múltiplo

Ator e roteirista lança seu novo filme, ‘Meu Passado Me Condena’, fala sobre o ‘Porta dos Fundos’ e sua carreira

iG Minas Gerais | Por VINÍCIUS LACERDA |

riofilme/divulgação
Fábio Porchat em cena de “Meu Passado Me Condena”
Fábio Porchat era um estudante desconhecido de administração até pisar no palco do programa de Jô Soares e fazer o apresentador e a plateia caírem na gargalhada com uma esquete improvisada em “Os Normais”. Depois desse ato inusitado, ele mudou-se para o Rio de Janeiro, onde formou-se em teatro pela Casa de Artes das Laranjeiras (CAL). Depois disso, a vida profissional de Fábio deslanchou. Ele criou o canal do YouTube “Porta dos Fundos”, tornou-se roteirista e ator de “A Grande Família”, participou de quatro filmes e da série “Meu Passado Me Condena”, que deu origem e mesmo título ao filme lançado recentemente. Na véspera do lançamento de seu último longa, Fábio esteve em Belo Horizonte, onde conversou com a equipe da SuperTV em um bate-papo descontraído sobre sua carreira, cinema e também sobre os planos para o canal “Porta dos Fundos”. O filme meu “Meu Passado Me Condena” é uma adaptação de uma série na qual você já trabalha com a atriz Miá Mello. Vocês já se conheciam? Eu comecei a trabalhar com a Miá justamente na primeira temporada da série “Meu Passado Me Condena”. Foi eu quem a sugeri para a Júlia Rezende (diretora da série e do longa). Ela é bonita e achei que poderia dar uma bossa. Você tem uma carreira versátil com atuações em stand-up, televisão e internet. No cinema, você está pela primeira vez em uma comédia romântica. Há algum segredo para este gênero? Na comédia romântica, você não está sozinho e tem que ter uma dupla que se torne uma coisa só. Não adianta o público só gostar da Miá e não gostar de mim ou vice-versa. Para uma comédia dar certo, o público tem que gostar do casal. E a gente se dá bem dentro e fora, acabamos virando amigos. Para você, qual é a diferença em atuar em diferentes formatos como TV, cinema e internet? Eu acho que a diferença de TV, internet e cinema são duas coisas: para quem você faz e a estrutura que você tem. No cinema, você tem que contar uma história em uma hora e meia, precisa ter começo meio e fim bem determinados. Na internet é diferente, você tem que pegar o público na hora que o vídeo começa, a cada trinta segundos tem que ser uma sacada. Diferente da televisão que, infelizmente, você tem um compromisso com ibope. Mas na internet você tem mais liberdade, não é mesmo? Não mesmo. Eu acho o cinema muito mais libertador que a internet. No cinema, por exemplo, você pode colocar uma pessoa pelada. No YouTube, por exemplo, ele bloqueia. Você também é roteirista. Como você enxerga a profissão no Brasil? Há boas escolas de formação para essa profissão? No Brasil, não há bons cursos de roteiro. Eu comecei a escrever naturalmente quando estava na escola de teatro. Foi lá que os professores me incentivaram a escrever comédias e esquetes. O problema é que aqui as pessoas não leem. Até pouco tempo atrás, o Brasil tinha um presidente que falava que não gostava de ler. E isso não é bom. E sobre o filme “Porta dos Fundos” o que você pode adiantar? Ainda não faço a menor ideia. Sei que teremos a mesma pegada do canal, os mesmos atores e diretores. Por enquanto, nossa ideia é lançar uma série dentro do canal. Pensam sair da internet e levar o canal “Porta dos Fundos” para outro lugar? Para quê, se está dando certo? Você tem medo de um dia não ser mais engraçado? Eu tenho medo de um dia não conseguir fazer algo diferente do que eu já faço, de começar a me repetir. Na verdade, nem era um medo, até você me perguntar nisso.

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