Um ator a serviço da sétima arte

Ao lado de João Miguel e Hermila Guedes, Júlio Andrade prefere atuar no cinema, e vai do drama à comédia

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo |

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Ao lado de Juliano Cazarré, ele está na pele do professor Joaquim, no filme “Serra Pelada”, que tem a direção do pernambucano Heitor Dhalia
A expressão “bicho cinematográfico” é bastante utilizada no audiovisual para qualificar atores que se dedicam de maneira quase exclusiva aos sets de filmagem. Profissionais que, além de processos intensos de construção de personagens, emendam um trabalho no outro e, não raro, demoram mais de um ano para ver o resultado na telona. Quando a sequência de filmes estreia, é comum a atribuição do ano ao ator. Nesse sentido, as safras de 2013 e 2014 estão dominadas pelo gaúcho, radicado em São Paulo, Júlio Andrade. Em cartaz nas salas como Joaquim em “Serra Pelada” (Heitor Dhalia), e Júlio em “Nove Crônicas para um Coração aos Berros” (Gustavo Galvão), Andrade deve entrar o próximo ano com quatro novidades: “Entre Nós” (Paulo Morelli), “Éden” (Bruno Safadi), “A Montanha” (Vicente Ferraz) e “Não Pare na Pista” (Daniel Augusto), no qual interpreta o polêmico escritor Paulo Coelho. Atualmente, roda “A Estrada do Diabo”, comédia de André Moraes, um gênero menos explorado por ele, carinhosamente conhecido nos bastidores como Julinho. “Para mim está sendo um ano maravilhoso. Trabalhei muito no ano passado, e estou filmando novamente. É legal não precisar fazer novela, mas me coloco sempre na condição de eterno aprendiz. Isso, talvez, faça com que meus personagens sejam críveis e verdadeiros. Eu faço cinema por amor, amo o que faço, e ainda tenho o privilégio de poder escolher meus personagens. Sei que estou em um lugar que muitos gostariam de estar”, admite. Ralação. Aos 36 anos, Júlio Andrade passou por alguns processos naturais até ganhar seu primeiro personagem de peso no cinema. Fez teatro, atuou em curtas-metragens de amigos e deixou Porto Alegre, que possui uma cena interessante de cinema, em busca de novos horizontes. “Eu comecei com a música e o teatro, tudo foi caminhando junto. Parei em função do serviço militar, mas quando voltei a cidade vivia um momento bem legal com a intensa produção da Casa de Cinema de Porto Alegre (que tem em seu núcleo diretores e roteiristas como Jorge Furtado, Carlos Gerbase, Giba Assis Brasil, dentre outros)”. Nesse período, o ator conseguiu uma pontinha em “O Homem que Copiava”, de 2003, estrelado por Lázaro Ramos e Leandra Leal. “Foi meu primeiro personagem. Até então, fazia muitas participações e, claro, estava nos curtas. Em dois anos, atuei em mais de 20. Embarquei nesse viagem, me apaixonei pelo cinema, mesmo sendo um lugar difícil, ainda faltam incentivos para os independentes”, considera. “Cão sem Dono”, de Beto Brant, foi um divisor de águas na carreira do ator, como ele aponta. “Antes disso, eu vibrava quando tinha cinco diárias de filmagens. O ‘Homem que Copiava’ teve oito. Ali foi a realização do sonho de ter, do início ao fim, a construção de um personagem”, afirma Júlio, que escolheu o cachorro que seria do tradutor Ciro, e praticamente se mudou para o apartamento onde a maior parte das cenas acontece. “Foi uma imersão vertical, mas com o tempo aprendi a lidar com certas obsessões comuns aos atores”. Experiências com o sucesso de público também marcam a cinematografia de Andrade. “Gonzaga – De Pai pra Filho”, de Breno Silveira, é um exemplo. “Sempre admirei o Gonzaguinha (que interpreta), tenho um envolvimento profundo com a música. Foi uma construção de personagem diferente, solitária”, conta. “Serra Pelada” tem outro tom, “porém o Joaquim tem muito de mim. Eu me apaixonei pelas cenas. Como ele, não tolero a injustiça e vou atrás dos meus sonhos”.  

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