Procure Saber divulga vídeo

Artistas como Gilberto Gil e Roberto Carlos defendem posição do grupo sobre biografias e afirmam que não são censores

iG Minas Gerais |

Pedro Silveira / O Tempo
Sem censura. Gilberto Gil reforça que o grupo não quer censurar ninguém, mas pede garantias contra ataques, excessos e mentiras
São Paulo. Na sequência da polêmica sobre as biografias, repercutiu ontem um vídeo do grupo Procure Saber, divulgado na noite de anteontem, em que grandes nomes da música popular brasileira como Gilberto Gil, Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso e Djavan se posicionam quanto às biografias não autorizadas. Atualmente, o projeto de lei que libera a divulgação de filmes ou publicação de livros biográficos sem autorização da pessoa retratada ou de sua família está em discussão na Câmara. Na última terça-feira, os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), elogiaram o projeto. “Quando nos sentimos invadidos, julgamos que temos o direito de nos preservar e, de certa forma, de preservar a todos que de alguma maneira não têm, como nós temos, o acesso à mídia, ao Judiciário e aos formadores de opinião”, explica Gilberto Gil no vídeo. “Não é uma decisão fácil, mas ela passa por um juízo íntimo e julgamos ter o direito de saber o que de privado, de particular, existe em cada um de nós nas nossas vidas”, complementa Roberto Carlos. Segundo Gil, o Procure Saber “nunca quis exercer qualquer censura” e, por isso, defende a intimidade, para “fortalecer” o direito coletivo. “Se nos sentirmos ultrajados, temos o dever de buscar nossos direitos – sem censura prévia, sem a necessidade de que se autorize por escrito quem quer falar de quem quer que seja”, diz Erasmo Carlos, que também participa do vídeo. O grupo admite que chegou a tomar uma posição “radical” quanto às biografias, mas que, devido ao direito de informação, acredita que deve haver um “ponto de equilíbrio” entre a liberdade para as obras e a privacidade dos artistas. “Não somos censores. Nós estamos onde sempre estivemos. Pregando a liberdade, o direito às ideias, o direito de sermos cidadãos que têm uma vida comum, que têm família e que sofrem e que amam. Às vezes a dois, ou na solidão, sem compartilhar com todos os momentos que são nossos”, diz Roberto Carlos. “Queremos garantias contra os ataques, os excessos, as mentiras, os insultos, os aproveitadores”, comenta Gil. “Não queremos calar ninguém, mas queremos que nos ouçam”, conclui Roberto.

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