Precisão que dispensa palavra

Trupe do Circo Nacional da China cumpre temporada de hoje a domingo em BH, com o espetáculo “A Bela Adormecida”

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

john smith/divulgação
Clássico. Companhia decidiu montar o conto de fadas pela fácil comunicação proporcionada por uma obra mundialmente famosa
As acrobacias que serão conferidas a partir de hoje, no estacionamento do shopping Del Rey, com a apresentação do novo espetáculo do Circo Nacional da China, deram o tom também da entrevista com um de seus membros. Foram feitos alguns malabarismos linguísticos para conseguirmos falar com Honey Juan Liao, acrobata do grupo. E, mesmo assim, “falamos” pouco, por e-mail, intermediado pela produção local. Afinal, a China, por mais globalizada que esteja, ainda guarda algumas de suas tradições, além do circo, com orgulho: seu idioma oficial ainda é o único falado por todos os integrantes do grupo. Apesar de algumas dificuldades (Pergunta: “Você poderia falar sobre a importância do circo, em seu país?”; resposta: “Sim, é uma grande tradição”), Liao conseguiu explicar, por exemplo, as vantagens econômicas e educativas do circo na China. “Nossa cultura é dos pais levarem os filhos para a escola desde cedo, bem novos, para que possam se aprimorar. Os estudos na China têm um custo muito alto. Então, por meio dessas escolas e dos circos, é possível conseguir estudos de forma mais em conta”. Os acrobatas chineses começam o treinamento aos cinco anos de idade e são escolhidos em audições em todo o país. O elenco do Circo Nacional da China é composto por jovens profissionais com idades entre 13 e 20 anos, quando ginastas, bailarinos e esportistas são convidados a estudar, treinar e morar na escola mantida pelo circo, ausentando-se apenas na época do Natal, quando visitam suas famílias. São necessários, em média, dez anos para que um novo acrobata saia da escola e entre no Circo Nacional. Outra característica marcante da cultura chinesa – o afiado senso patriótico de sua população – explica a lógica de produção do Circo Nacional. “Nós gostamos de estar no palco, é um orgulho”, diz Liao. Traduzindo esse orgulho com maior precisão: a tradição do Circo Nacional da China data de mais de 2 mil anos e é da época das dinastias Qin e Han (221 a.C. - 221 d.C.). Registros históricos e relíquias documentam essa arte que, há muito, encanta plateias em todo o mundo. A companhia esteve por aqui em 2008, acentuando a ideia de que os circos internacionais, atualmente, geram uma grande demanda de público, já que, há alguns anos é perceptível um aumento das visitas de produções estrangeiras do gênero no país. Desta vez, eles chegam com o espetáculo “A Bela Adormecida”. Segundo Liao, a escolha por montá-lo se justifica por ser um “grande clássico, conhecido mundialmente”. Como algumas coisas, principalmente no campo da criação artística, dispensam tradução exata, a história da princesa, eternizada em filmes e desenhos, agora se transforma em acrobacias de grande plasticidade, que “narram” o conhecido enredo, com os acrobatas se transformando nos conhecidos personagens. Globalização made in China é isso. Não à toa, muitos destes artistas do grupo transitam hoje nos cenários mundiais de grandes espetáculos, além de participarem de famosas companhias como o Cirque Du Soleil.   Programe-se Circo Nacional da China Espetáculo “Bela Adormecida”. Estacionamento do Shopping Del Rey (av. Presidente Carlos Luz, 3.001, Pampulha) Hoje e amanhã:  às 20h Sábado: às 17h e 21h Domingo: às 16h e 19h Ingressos: Setor 1: R$ 100 Setor 2: R$ 80 Setor 3: R$ 60 Há meia entrada para todos os setores  

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