A intuição como método de criação de personagens

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo |

pedro paulo figueiredo/ divulgação
Júlio Andrade deverá ser bastante visto na telona em 2014
Júlio Andrade construiu uma galeria de personagens fortes, distintos e que carregam até mesmo uma dose de fina ironia, sem recorrer aos celebrizados métodos Stanislavski ou Lee Strasberg, do Actors Studio. “Eu costumo embarcar na viagem do diretor, esse é o grande barato de fazer cinema: Aceitar a proposta do personagem e construí-lo. Para cada longa que faço, o processo é muito diferente”, explica. O ator, no entanto, confessa que aposta na sensibilidade para mergulhar nos papéis. “Meu trabalho é 80% de intuição. Os outros 20% correspondem ao estudo e à leitura. Eu também me considero muito ligado no que acontece nos bastidores, na mistura interessante que o cinema proporciona. Já trabalhei com um mesmo diretor de fotografia e um mesmo diretor mais de uma vez, por exemplo, e que imprimiram ingredientes muito distintos em outros trabalhos. Gosto de observar essa arte que é infinita”, teoriza. Esse lado mais observador, que não tirou o espaço da inquietação, veio junto com a maturidade, reflete o artista. “Eu me recordo da ocasião em atuei junto com o Paulo Betti na série ‘Luna Caliente’ (Globo), do Jorge Furtado, que foi ao ar em 1999. Havia uma cena com ele e com o Tonico Pereira, e fiquei duas noites sem dormir por causa disso. Fiquei acuado, mas o Betti me aconselhou: A experiência só vem com a estrada. Hoje, eu encaro meus projetos com a mesma seriedade e dedicação, porém não deixo de pensar que o filme é maior que eu”, diz. Jogo de cena. No território do cinema existem muitos atores que Júlio Andrade aponta como referências. “Eu não me esqueço do Lázaro Ramos em ‘Madame Satã’ (Karim Aïnouz), das atuações do Wagner Moura naquele período (‘Abril Despedaçado’ e ‘Cidade Baixa’, com Ramos). Eles sempre fizeram escolhas interessantes. Tem também o João Miguel, um grande ator, a quem considero um irmão”, revela. “A lista de nomes de colegas é extensa”, avisa Júlio Andrade, que gostaria de estabelecer jogos de cena com alguns de seus contemporâneos como Hermila Guedes (“O Céu de Suely”). Ele também cita a importância de artistas como Selton Mello, que ultimamente anda mais enveredado para a direção, obtendo aplausos de público e crítica, como aconteceu com seu “O Palhaço”. Andrade explica que intenta também se reencontrar com alguns colegas de set. É o caso do jovem Jesuíta Barbosa, de 22 anos, que atuou em “Serra Pelada”, e que vem chamando a atenção da crítica com o inédito “Tatuagem” (Hilton Lacerda) nos principais festivais de cinema brasileiro deste ano. “A gente sempre quer trabalhar de novo com quem entra no jogo, que está disponível”. Dentre os diretores, Júlio Andrade enumera três nomes com quem emendaria mais um projeto cinematográfico sem pestanejar: José Belmonte (“A Concepção” e “Billi Pig”), Hilton Lacerda (do festejado “Tatuagem”) e Cláudio Assis (“Amarelo Manga”, “A Febre do Rato”), que merece uma atenção especial. “Nesse momento é o realizador com o qual mais gostaria de trabalhar. Ele faz o tipo de cinema que eu gosto e acredito, além do mais me interessa entrar nessa loucura dele”, conclui.

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