Marin leva disputa as últimas instâncias e aciona Fifa por Diego Costa

Segundo dirigente, decisão da entidade máxima do futebol mundial abre precedente perigoso

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

A briga da CBF para impedir que Diego Costa defenda a seleção da Espanha é mais profunda e não se trata de revanchismo pela decisão do atacante em recusar a convocação do Brasil, que será completada nesta quinta-feira para os amistosos contra Honduras e Chile. Pelo menos é o que atesta o presidente da entidade, José Maria Marin, que prometeu prosseguir no processo para que a Fifa valide a participação do jogador em dois amistosos com a seleção brasileira e proíba o jogador de atuar por outro país. Destaque do Atlético de Madrid, o atacante sergipano recusou oficialmente na terça-feira a convocação de Luiz Felipe Scolari, antecipada na semana passada. Diego Costa tem nacionalidade espanhola e a predileção do técnico Vicente del Bosque, da Espanha. Nesta quarta, o jogador oficializou sua posição de defender o selecionado espanhol. "O caso do Diego está superado. Apoiamos integralmente a decisão do Felipão (de não mais convocar o atacante). Mas nossa luta é uma preocupação mais ampla com o futuro da seleção brasileira", disse Marin, através de sua assessoria. Segundo o presidente da CBF, a decisão da Fifa de aceitar a convocação do atacante pela Espanha cria um precedente perigoso. Seleções mais fracas e com dinheiro poderiam garimpar jogadores de outras nacionalidades, ainda que tenham disputado amistosos com suas seleções ou competições das categorias de base, com a oferta de vantagens financeiras para que se naturalizem e disputem campeonatos como as Eliminatórias e mesmo a Copa do Mundo por outros países. "Não se trata de uma questão específica contra o Diego. Pensamos no futuro do futebol, principalmente da seleção brasileira", reforçou Marin. Em março, Costa foi convocado pelo Brasil e disputou alguns minutos dos amistosos contra Itália e Rússia. Mas a Fifa considera apenas jogos por competições adultas oficiais para impedir um atleta de defender duas seleções distintas. A CBF argumenta em seu pleito na Fifa que tais amistosos servem para a confecção do ranking da própria entidade, com peso até mesmo no emparelhamento do sorteio para a Copa do Mundo, e que, portanto, deveriam ser considerados como jogos oficiais. Como última instância, se for derrotada na Fifa, a CBF pode levar o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Desde os jogos de março, Diego Costa não foi mais chamado por Felipão, que preferiu atletas como Jô (Atlético-MG) e Alexandre Pato (Corinthians). Com a certeza de que Del Bosque vai convocá-lo para a Espanha, o atacante optou por vestir o uniforme daquele país, onde está há seis anos.