Só Saúde acumula dívidas com médicos e fornecedores

Advogado afirma que situação deve ser normalizada em um ano

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Problemas. Vendedora de planos de saúde afirma que há clínicas que não recebem há dois meses
Depois de uma série de suspensões na venda de planos de saúde pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a operadora mineira Só Saúde Assistência Médico Hospitalar Ltda, que atua na região metropolitana de Belo Horizonte, está tentando se recuperar. “A empresa está se reestruturando. É uma situação por que outras empresas já passaram”, diz o advogado da operadora, Felipe Rossi. Uma vendedora de planos de saúde, que está no mercado há 20 anos e que pediu para não ser identificada na reportagem, conta que há clínicas que trabalham para a Só Saúde que não recebem há cerca de dois meses e médicos que acumulam 150 consultas não pagas. “Houve um caso de um rapaz com acidente de moto que teve o atendimento de urgência negado. Tem muita gente saindo dos planos da empresa.” O advogado da operadora confirma que há atrasos de pagamento na casa dos dois meses, embora haja outros sendo honrados. “Diferentemente de uma recuperação judicial, na qual pagamentos podem ser suspensos, isso não está acontecendo. Estamos negociando com os nossos credores. Todo mundo vai receber”, afirma Rossi, que estima que a operadora tenha entre 38 mil e 40 mil usuários na Grande BH. Acompanhada de perto . A operadora, que tem sede na capital, está sob o regime especial de direção fiscal desde o dia 22 de outubro deste ano, de acordo com a ANS. Em nota, a agência explicou que o regime especial de direção fiscal é um acompanhamento in loco feito por agente nomeado pela autarquia nos casos em que operadoras de planos de saúde têm anormalidades econômico-financeiras e administrativas que podem colocar em risco a continuidade e a qualidade do atendimento à saúde dos beneficiários. “Não se trata, portanto, de uma intervenção, pois o agente nomeado pela ANS (diretor fiscal) não possui poderes de gestão. Ele acompanha a situação econômico-financeira da operadora durante a direção fiscal, quando a empresa poderá apresentar medidas capazes de reverter as anormalidades detectadas”, continua o texto. A duração do regime especial de direção fiscal é de até 365 dias. As reais condições da operadora serão analisadas nesse período. Rossi diz que a situação da operadora vem melhorando desde julho. “Só que a demanda ainda é muito grande e tivemos que nos reestruturar, descredenciando médicos, por exemplo. Outros preferiram sair, mas foi uma minoria. Acredito que em um ano iremos conseguir colocar a casa em ordem”.

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