Para vereador, mendigo deve virar “ração pra peixe”

Após dizer que morador de rua “não faz nada na vida”, parlamentar de Piraí (RJ) pede desculpas

iG Minas Gerais |

CMBP/ VIDEO REPRODUCAO
O vídeo com a fala polêmica de Russo ganhou repercussão ontem
São Paulo. O vereador de Piraí (RJ) José Paulo Carvalho de Oliveira, o Russo (PTdoB), afirmou no dia 8 de outubro, em uma sessão comemorativa aos 25 anos da Constituição, que mendigos não deveriam votar e que poderiam virar ração para peixe.“Mendigo não tem que votar, mendigo não faz nada na vida. Aliás, eu acho que deveria até virar ração pra peixe”, disse.Ele também se pronunciou a favor da pena de morte. “Se um bandido soubesse que ele ia ser morto, com certeza ele ia pensar mais um pouquinho antes de fazer as coisas”. Ontem, após o vídeo da sessão ter ganhado repercussão ao ser reproduzido em sites de notícias e programas de TV, o vereador disse que usará a tribuna da Câmara Municipal para pedir desculpas pelas declarações. “Errei e vou publicamente pedir desculpas. Minha conduta não condiz com aquela fala”, afirmou.Ele contou ter feito o discurso num momento de emoção por um fato que teria acontecido com a sua família”. “Há uns 15 anos, não me lembro direito porque não gosto nem de pensar nisso, meu irmão acolheu uma família de andarilhos. Seis meses depois, eles o mataram”.Russo disse pensar “totalmente o contrário” do que expressou na Câmara. No vídeo, ele afirmava que se recusa a ajudar pedintes: “Eu não dou nada para mendigo, não adianta me pedir que eu não dou. Tem que trabalhar”.Agora, ele declara ser solidário. “Ajudo no que posso, faço tudo. Ajudo no anonimato, sem medir quanto, quando”, disse. O vereador, no entanto, mantém algumas das opiniões do discurso, como a proibição do voto. “As pessoas que têm que votar são as pessoas que trabalham. Quem não fez nada não tem que votar, independente de ser mendigo ou outra classe social. Quem não faz nada pelo país não tem que opinar”, conclui.No vídeo, ele também disse ser favorável à pena de morte e manteve sua opinião. “Vivemos numa prisão enquanto os bandidos estão soltos”.

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