Rotina urbana

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CRISTIANO TRAD – 5.7.2011
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Em outras oportunidades, comentamos neste espaço que muitas vezes são vocês, leitores, que nos ajudam a formatar o assunto a ser abordado. Um e-mail enviado por um leitor, que se identifica apenas como Nacib, nos solicita reflexão sobre um tema que vem sendo recorrente em rodas de conversas informais ou mesmo nas páginas de jornal e noticiários da televisão. Ele começa lembrando que a vida moderna, com a correria que o dia a dia agitado das grandes metrópoles nos impõe, vem transformando uma parcela significativa de motoristas, que, segundo nosso leitor, “estão cada dia mais mal-educados”. Lembrando que todas as manhãs faz seu treino em bairros como São Bento ou Belvedere, o missivista e doublé de corredor de rua lamenta as atitudes de muitos condutores. “Já aconteceu de um cidadão quase atropelar o grupo e, mesmo assim, errado, descer do carro para enfrentar, não se sabe como, no peito e no grito, os atletas amadores que apenas praticam exercício físico. Se não fosse a turma do deixa disso, teria chegado às vias de fato e maculado, para sempre, o saudável encontro matinal de amigos que se propõem, juntos, ter uma vida mais prazerosa”. As horas parado no engarrafado trânsito, o “para anda” do sinal que se abre e logo em seguida fecha, as tentativas de encontrar um percurso alternativo para evitar esses transtornos cotidianos vêm deixando, sem dúvida, o motorista cada vez mais irritado. Não é raro ver uma agressão verbal quando alguém sente que foi fechado ou quando um “espertinho” forma uma fila inexistente para tentar sair na frente e depois fica insistindo para entrar, novamente, no fluxo regular do trânsito. Esses sim são mal-educados e não respeitam seus pares, que também estão ali a enfrentar congestionamento, calor, barulho e a inevitável corrida contra o tempo, quase sempre uma batalha perdida. Falar do respeito que esses maus motoristas nutrem pelos pedestres, quando o assunto é a faixa que lhes permite passagem em locais em que não há semáforo, então, chega a ser uma utopia. Em países de Primeiro Mundo, basta que o transeunte coloque os pés sobre a faixa que imediatamente os carros parem. Por aqui, o que temos visto é o contrário: o cidadão pisa na faixa, avisando e mostrando sua intenção de atravessar, mas os que estão ao volante agem como se aquela atitude não lhes dissesse nada. Outra atitude lamentável é acelerar o carro antes de o sinal abrir e assustar os últimos que estão atravessando. Tem gente que faz isso apenas para se divertir com o susto que leva o pedestre. Antes de ser uma maldade é uma falta de respeito para com o cidadão que tem os mesmos direitos e deveres. Não se pode generalizar. Existem, claro, os que estão mais avançados em educação e que, apesar de sofrerem os mesmos dissabores da vida moderna, entendem que cordialidade e gentileza são atitudes que constroem um dia mais feliz. Antes de terminarmos, não poderíamos deixar passar em branco o grande serviço prestado pelos organizadores do Enem ao indicarem a Lei Seca como tema deste ano para a redação. Não poderia ser mais apropriado para os candidatos que, em sua grande maioria, iniciam a vida como pretendentes a uma carteira de habilitação, parar e pensar o quão é importante entender a profundidade dessa lei que, mesmo controversa para alguns, vem mostrando muitos benefícios desde o começo da efetiva aplicação. Nota 10.

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