O valor do exemplo

iG Minas Gerais |

Bom dia, Carlos Eduardo, escrevo-lhe para parabenizar pelo artigo “Semanada”, no jornal Super do dia 16 de outubro. Tenho 69 anos, três filhos e dois netos. Em dezembro de 1968, me casei. Meu esposo era bancário, e nossas finanças eram controladas previamente. Ele me entregava todo valor a ser gasto durante o mês e eu envelopava cada cota em seu envelope específico: para frutas, leite, pão, refrigerante e assim por diante. Atendiam-se as necessidades do grupo – se a cota terminava, tudo bem, ficava para o próximo mês. Nosso programa para educar os filhos não ficou esquecido: responsabilidades e a importância de ensiná-los a lidar com o dinheiro no aspecto de como ganhar e como gastá-lo com honestidade. As orientações chegaram até os netos. Hoje, meu neto mais velho tem 18 anos e trabalha em um hospital. Já fiz muito pralina para ele entregar em salão de beleza e em lan house, ganhando assim seu dinheirinho, além das mesadas. Concordo que as semanadas são muito melhor. Foi estabelecido também que cada filho, ao entrar no mercado de trabalho, teria a obrigação de auxiliar na despesa da casa e doar a uma instituição para auxiliar também o próximo. Mesmo que fosse uma quantia mínima, e assim foi feito. Essa foi a maneira que consideramos mais correta de ensiná-los a ser responsáveis, úteis e solidários. Deu tudo certo. São filhos maravilhosos, exemplares, foi com dificuldades, mas todos três fizeram o curso superior. Orgulhamo-nos muito de cada um deles. Sempre considerei que para a criança é prejudicial tanto a falta como o excesso de dinheiro. Os pais precisam estar atentos a esse fato porque, na esquina, haverá sempre uma criatura de má formação, lhe induzindo e oferecendo-lhe trocas e recompensas. (Ivete/Belo Horizonte) Ivete, parabéns por sua história. E permita-me usá-la como exemplo da importância da participação efetiva dos pais na educação financeira dos filhos. E, em seu caso, essa participação se estende à educação dos netos. Educar financeiramente os filhos tem uma repercussão que alcança o futuro deles. Crianças que foram educadas financeiramente tornam-se adultos com bons hábitos financeiros. E, com isso, podem buscar com um pouco mais de facilidade seus sonhos e objetivos. Segundo a educadora Cássia D’Aquino (autora do livro “Educação Financeira: Como Educar Seu Filho”), o processo correto de educação financeira deve envolver quatro conceitos importantes: aprender a ganhar, aprender a gastar, aprender a poupar e aprender a doar. E, ao longo do tempo, você tem passado para seus filhos e netos todos esses pilares. E uma educação benfeita é igual uma construção: se fixamos bem os pilares, a obra está segura. Você sempre mostrou aos seus filhos a importância do trabalho. Não importa se nosso trabalho é mais simples. O importante é fazer o que escolhemos com bastante dedicação. E essa dedicação trará a recompensa financeira. E o valor que recebemos pelo nosso trabalho é que permite a aquisição de bens e serviços importantes para o nosso bem-estar. Cuidando do orçamento doméstico com o método dos envelopes (que minha avó também utilizava e já foi inclusive tema de uma coluna minha), você foi mostrando a eles o valor da escolha. Nossos desejos são ilimitados, mas nossos recursos são limitados. Temos, então, de fazer escolhas. Uma grande dificuldade nos dias de hoje para as pessoas é realizar escolhas. Muitos acham ser possível ter tudo aquilo que desejam. Como não é, acabam entrando em uma situação de desequilíbrio financeiro que acaba trazendo uma série de consequências negativas. Merece também destaque o fato de você ter mostrado a eles a importância de se preocupar com o próximo. Sempre podemos ajudar pessoas que estão mais necessitadas. E não é só materialmente. Pode ser com uma palavra amiga, um gesto de carinho. Parabéns pelo exemplo! Neste mês, iniciei uma promoção do livro “Meu Dinheiro”, buscando que mais pessoas possam adquiri-lo. Os leitores interessados podem me enviar um e-mail que retorno com as indicações de como proceder. No livro, são discutidos temas importantes sobre finanças pessoais de uma forma que ajude os leitores a melhorar o seu relacionamento com o dinheiro. Mandem dúvidas e sugestões para o e-mail carloseduardo@harpiafinanceiro.com.br

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