O passeio antológico da MPB

Centro Cultural Banco do Brasil inaugura sua programação musical com tributo ao músico Ernesto Nazareth, hoje

iG Minas Gerais | Thiago Pereira |

MARILIA FIGUEIREDO DIVULGACAO
Abertura. Henrique Cazes e Flor de Abacate dão o pontapé inicial na programação dedicada aos 150 anos de Ernesto Nazareth no CCBB
O Centro Cultural Banco do Brasil abre hoje suas portas para a música e nada mais coerente do que iniciar com um tributo a um dos nomes seminais da música nacional: Ernesto Nazareth, um de seus nomes fundantes. “É um dos pilares, junto com Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros e Pixinguinha”, diz Mário de Aratanha, diretor artístico do projeto. “Eles transformaram as músicas que estavam no Brasil em música brasileira, o que gerou uma série de outras revoluções”, acrescenta. Aratanha garante que o evento não tem caráter cronológico, algo difícil de dimensionar na música. “Existe, sim, uma preocupação antológica. Não só do que foi realizado, mas o que também pode ser ‘re-realizado’, música para outros criarem em cima”, explica. O cavaquinista Henrique Cazes, que abre a programação hoje com uma roda de choro com os belo-horizontinos do Flor de Abacate, faz coro: “Ele foi o cara que pegou a linha tênue entre o popular e o erudito e fez dessa linha um território próprio, permeável. E justamente essa área talvez tenha formatado a parte mais rica da nossamúsica, através de Radamés Gnatalli, Tom Jobim, Egberto Gismonti, Guinga”, exemplifica. Os 150 anos de nascimento do autor de clássicos como “Odeon”, “Brejeiro” e “Bambino” serão celebrados com cinco shows,além de palestras em torno do compositor. De hoje até 28 de novembro, diversos eixos da música de Nazareth serão celebrados por diversos artistas. “Maria Teresa e Pedro Amorim vão recriar o espaço e o clima da época de Nazareth, início do século XX. Mú Carvalho traz um toque de modernidade, montando arranjos e interpretações completamente contemporâneas para as obras dele. Ele acabou de gravar o disco ‘Elétrico Nazareth” que será lançado nesse espetáculo em Belo Horiozonte”, adianta Aratanha. “Antônio Adolfo, um dos maiores músicos e educadores musicais do país, vai recriar temas de Nazareth no clima jazz, pré- Bossa Nova, do Beco das Garrafas (lendário espaço de shows carioca). E para fechar, a grande paixão do Nazareth, Chopin, interpretado pelo piano de Arthur Moreira Lima, que gravou vários discos dedicados ao repertório de Nazareth”, acrescenta. O programa portanto vai tentar fechar o leque das realizações e possibilidades da música do pianista. “Não é um músico ‘antigo’ que estamos revisitando”, diz Aratanha. “É um cara que sempre se garantiu, sempre esteve na crista da criatividade, um dos pouquíssimos músicos que transitam em todas as áreas , seja popular ou de concerto”. Cazes, um dos maiores cavaquinistas e estudiosos do choro do Brasil, é o responsável por abrir as homenagens hoje e amanhã, junto com o grupo Flor de Abacate. Como ele explica, a importância de Nazareth para o choro é exponencial e permeada pelo contexto histórico do país, na virada do século XIX para o século XX, quando os diferentes extratos sociais começam a se misturar e geraram gênios como Machado de Assis e o pianista. “Ambos nascidos no mesmo lugar, na zona portuária carioca, vindos de uma classe média que tinha os olhos na Europa e os pés no terreiro”, contextualiza Cazes. A permissividade em termos de convívio entre esse aspecto ‘civilizado’ trazido da Europa e o local ‘selvagem’ acabou gerando, por exemplo, o choro. História. Nazareth foi uma espécie de embaixador do gênero em meios da chamada música séria. Mas deixou um “problemão” para aqueles que, como Cazes, transpõem suas obras para o cavaquinho. “Ele compôs muito para piano e bandas musicais completas”, ilustra. “Para arranjar sua obra para o cavaquinho, temos que fazer uma ginástica. Porque trata-se de um instrumento de menor extensão. Mas os músicos já estão ficando mais abusados, estão chegando nele”, garante. E são eventos como estes que iluminam a obra de Nazareth para novas gerações. “O grande desafio de aproveitar essas datas redondas, é conseguir atrair mais e mais consumidores dessa música. A juventude está ligada, pesquisando, trocando arquivos. Precisamos é criar uma demanda para que possa haver público para esses trabalhos”, diz. Agenda O QUÊ. Ernesto Nazareth: 150 anos depois. Roda de choro com Henrique Cazes e Flor de Abacate QUANDO. Hoje e amanhã ONDE. Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450 Funcionários) QUANTO. R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)    

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