Espetáculo à moda antiga

Megaprodução marca o reencontro do diretor Fernando Bicudo com o maestro Marcelo Ramos e o Palácio das Artes

iG Minas Gerais | gustavo Rocha |

JOAO MARCOS ROSA / NITRO
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A finesse da nobreza europeia do século XVII é geralmente atribuída ao excêntrico rei francês Luís XIV. O monarca, que também ficaria conhecido por ter lançado a moda do uso de elaboradas perucas, construiu a residência real, o famoso Palácio de Versalhes, um dos lugares mais visitados hoje por turistas de todo o mundo. Assim como o mais conhecido monarca francês. Mas engana-se quem pensa que a excentricidade se resume ou se encerra apenas no monarca francês. O rei Gustavo III da Suécia era tão ou mais afeito aos finos prazeres da vida que Luís e sua história (ou parte dela) é contada na ópera “Um Baile de Máscaras”, uma composição do italiano Giuseppe Verdi que estreia amanhã no Palácio das Artes. A ópera de Verdi foi censurada quando foi escrita por seu forte teor biográfico. Assim sendo, o compositor se viu obrigado a mudar o nome do personagem principal: Gustavo viraria Ricardo e a história foi transferida geograficamente para Boston, nos Estados Unidos. Coube ao diretor Fernando Bicudo a tarefa de levar o texto “original” ao palco. “Quando fui convidado, sugeri que fizéssemos a versão original do texto, voltando à Suécia e trocando o nome do monarca. Pelo simples fato de você resgatar a locação da ópera, você passa a entender melhor os conflitos presentes na trama”, explica o diretor. Bicudo exalta a figura incrível que foi o monarca, “Ele rompeu com os lordes da nobreza, uniu-se ao exército, venceu uma guerra contra a Rússia, ganhou popularidade e se aproveitou dela para investir em educação e cultura. Fundou o Balé, o Teatro, a Ópera Nacionais, o Museu de Belas Arte e a Academia Sueca, essa que dá o prêmio Nobel. Tudo isso em 20 anos. Estamos precisando de um Gustavo III no Brasil”, comenta Bicudo. MÚSICA. Para a tarefa de levar “Um Baile de Máscaras” à cena, Fernando repete a parceria com o maestro Marcelo Ramos, que assina a direção musical e regência da ópera. Os dois já haviam trabalhado juntos em 2004, no Palácio das Artes, com “Turandot”. O maestro se diz muito feliz porque recentemente foi feito um concurso para escolha de músicos que passam a integrar os quadros do Palácio das Artes e esses já poderão se mostrar em “Um Baile de Máscaras”. Além disso, ele destaca o fato de 10 dos 13 solistas serem brasileiros. “É uma grata surpresa. Abrimos audição e temos 10 brasileiros e apenas três estrangeiros (um americano, um uruguaio e uma japonesa). Do total, cinco são mineiros. A música nacional e em nosso estado vão muito bem”, comemora Marcelo. TEATRAL. Um dos pedidos de Fernando Bicudo, para o coreógrafo Renato Augusto foi a aproximação da coreografia com a commedia dell’arte, linguagem teatral que surgiu na Itália, encenada por atores com máscaras cobrindo o rosto e que antecede o teatro moderno. Para o desafio, Renato não contou, no entanto, com o auxílio de um profissional específico do teatro. “Aqui dentro temos todo tipo de experiência. Várias oficinas, algumas teatrais, como clown, por exemplo. Isso me auxiliou muito”, garante o coreógrafo, que trabalha com o corpo de balé do Sesc no espetáculo. Na concepção da dança, Renato buscou referências múltiplas. “Tentei construir aqueles minuetos típicos da nobreza com elementos mais vigorosos. Dai, chegamos à nossa dança regional, a quadrilha”, garante ele.   Agenda O quê. Ópera “Um Baile de Máscaras” Quando. Amanhã e dias 2, 3, 6, 8 e 9 de novembro. Quinta, sábado, quarta e sexta-feira, às 20h30, e domingo, às 19h Onde. Grande Teatro do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, centro) Ingresso. R$70,00 e R$35,00 (meia-entrada)

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