O dia em que Oscar voltou a ser o espetáculo: o primeiro jogo da NBA no Brasil

Ex-jogador roubou a cena em duelo realizado no Rio e saiu como o grande vencedor de uma queda de braço interminável entre atletas da NBA e da seleção brasileira

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

No último dia 12 deste mês, estive presente no primeiro jogo da NBA no Brasil. Realizada no Rio de Janeiro (RJ), a partida de pré-temporada colocou frente a frente Chicago Bulls e Washington Wizards, equipes escolhidas a dedo pela organização por fatores distintos, mas que tinham muito a ver com o país. Com o início das transmissões da NBA no Brasil nos anos 1990, a torcida pelos Bulls era grande, principalmente porque a equipe contava com ninguém menos que Michael Jordan, o maior jogador de todos os tempos. Já a escolha dos Wizards se deu pelo fator Nenê, brasileiro que abriu as portas da liga para a chegada de mais atletas do país. Entre problemas e acertos Logo na chegada à Arena da Barra da Tijuca, localizada ao lado do Parque Aquático Maria Lenk, era possível ver a predominância das camisas rubro-negras dos Bulls. Todos estavam bastante ansiosos pela presença de Derrick Rose, que nos eventos que antecederam a partida andou desfilando uma simpatia até certo ponto intrigante. Apesar das poucas palavras, de algumas respostas evasivas e, por vezes, parecer que estava nas alturas, sempre procurou atender a todos. O posto de astro do jogo exibição acabou dividido com o companheiro Joakim Noah, este sim, bastante expressivo e muito mais aberto aos fãs. No entanto, quando a bola laranja subiu, nenhum desses dois atletas foi à quadra, decepcionando os mais de 13 mil fãs que lotaram o moderníssimo ginásio, o mais preparado do país. Apesar de toda a pompa, o evento apresentou pontos negativos, entre eles o trânsito complicado do Rio de Janeiro. Inúmeras obras para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de 2016 transformaram trajetos simples em verdadeiros testes de paciência. O reflexo nas cadeiras da Arena da Barra assim que o jogo começou foi imediato. Vários lugares vazios e que só foram sendo preenchidos com o passar do tempo. Bem diferente da organização das franquias da NBA, responsáveis pela venda de produtos licenciados em seus respectivos ginásios, a comercialização de souvenirs do evento ficou por conta da loja que patrocina as operações da liga no Brasil. Uma grande fila se formou no stand, que pecou tanto no atendimento como na quantidade de peças ofertadas. Houve um certo despreparo, abrandado por alguns mimos aos fãs. Quanto ao lado interno, a organização do jogo funcionou de forma bastante similar aos jogos da NBA. Além das apresentações irreverentes dos mascotes de ambas as equipes e as performances das cheerleaders do Washington Wizards - que no final da partida até dançaram um "Prepara", da Anitta -, houve momentos de intensa ovação do público a ícones do basquete, entre eles o quarteto Scottie Pippen, Horace Grant, John Paxson e Randy Brown, membros do time de ouro dos Bulls na era Michael Jordan. O cara do jogo - Oscar Schmidt Mas nada superou a comoção que tomou conta do ginásio assim que Oscar entrou em quadra. Foram duas vezes, a primeira, de uma forma não oficial, foi a mais incrível de todas. O jogo estava acontecendo, os Bulls atacavam com Carlos Boozer. Quando o Mão Santa entrou em cena, o público literalmente deu às costas para a partida e aplaudiu o ex-jogador de pé. Surpreso com a recepção calorosa, ele tirou o boné, acenou para a galera e saiu de cena aos gritos de "Oscar, Oscar!". Já faz quase 20 anos que Oscar se aposentou do basquete, mas sua fama permanece irrevogável. O homem que uma vez disse não à NBA, ganhou do público uma prova de que seu nome e sua história são capazes de ofuscar o poder da liga norte-americana. Um verdadeiro tapa de luva em Nenê e Leandrinho, vaiados pela torcida em diversos momentos. Por estar em quadra, a pressão sobre o pivô dos Wizards foi maior. Um misto de vaias, aplausos, até que alguns erros explodiram a fúria do público. Após a partida, Nenê afirmou que não se importava com as críticas, que saiu do Brasil sozinho e que agora voltava com um time, um discurso com vestígios de ressentimento, de respostas atravessadas como quando disse que não responderia a pessoas de espírito pobre. De fato, o camisa 42 dos Wizards, campeão brasileiro com o Vasco, voltou ao país com o apoio de um time, com todo o staff dos Wizards à sua disposição, mas não teve o apoio e nem muito menos o reconhecimento de uma nação. Bulls saem com o triunfo Quanto ao jogo, vitória apertada dos Bulls por 83 a 81. Mesmo sem Rose e Noah, a equipe comandada pelo técnico Tom Tibodheau mostrou presença de quadra, principalmente com boas aparições de Jimmy Butler, Luol Deng, Boozer e Taj Gibson. Em relação aos Wizards, destaque para Bradley Beal, Jan Vasely e Kevin Seraphin. Com a recente contratação de Gortat, a equipe pode alçar voos muito mais altos nesta temporada.  

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