Malala Yousafzai: uma menina que queria apenas estudar

Com sua campanha, ela ganhou a simpatia do mundo

iG Minas Gerais |

Paquistanesa de Mingora, no vale do Swat, Malala Yousafzai, 16, sobreviveu a um atentado dos talebans: um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola, em 9 de outubro de 2012, sob alegação de “promover a cultura ocidental em áreas pashtuns”. Através de sua campanha em prol do direito à educação das meninas e contra o fundamentalismo religioso, ela ganhou a simpatia do mundo. Não sem razão. “32 milhões de meninas estão fora da escola no mundo por três motivos: a percepção cultural sobre o papel que têm que cumprir na família, o custo da sua educação e a segurança no caminho do colégio, ou dentro da própria escola. Só no Paquistão, 3,2 milhões de garotas estão fora das escolas” (dados da KidsRights). Malala foi levada de helicóptero para um hospital militar em Peshawar, capital do Paquistão. Após os primeiros atendimentos, foi transferida para Londres, onde finalizou seu tratamento. Jurada de morte no Paquistão, vive com sua família em Birmingham, Inglaterra. Mas Shahidullah Shahid, porta-voz do Taleban paquistanês, não se cansa de dizer: “Os talebans tomarão Malala como alvo tanto se estiver nos Estados Unidos quanto no Reino Unido”. Hoje ela é uma bem-articulada e desenvolta ativista internacional pelo direito à educação das meninas e contra o fundamentalismo religioso. Em 2012, recebeu o Prêmio Internacional da Paz das Crianças, em Haia, premiação da organização humanitária KidsRights; criou o Fundo Malala com a doação de US$ 200 milhões feita pelo Banco Mundial para apoiar a educação das meninas no mundo; no último dia 10 de outubro, foi a mais jovem agraciada com o Prêmio Sakharov de Liberdade de Expressão do Parlamento Europeu, mais importante prêmio de direitos humanos da União Europeia, além de ter sido a pessoa mais jovem do mundo indicada ao Prêmio Nobel da Paz 2013, que foi concedido à Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq). Malala é filha de um professor paquistanês, Ziauddin Yousafzai, que cedo descobriu o gosto da filha pelos estudos e preceptora em áreas como literatura e humanidades desde bem criança. Ele era dono de uma escola mista que foi fechada em 2010 quando o vale do Swat foi ocupado pelo Taleban. O ex-diretor do site da BBC no Paquistão Mirza Waheed declarou: “Ela é apenas uma menina que queria ir para a escola”. Em 2009, após a proibição da televisão, da música e da educação para meninas, Mirza Waheed acatou a sugestão de um repórter, Abdul Hai Kakkar, para que algum professor da escola de Ziauddin Yousafzai escrevesse sobre a vida no vale do Swat sob o regime do Taleban, porém os professores, com medo, não aceitaram. Malala Yousafzai, na época com 11 anos, aluna da sétima série, demonstrou interesse. E assim foi publicado “O Diário Escolar de uma Menina do Paquistão”, escrito por Malala Yousafzai, com o pseudônimo de Gul Makki. Em seu livro “Eu sou Malala”, escrito com a jornalista Christina Lamb (Companhia das Letras), que ainda não li, no prólogo “O dia em que meu mundo mudou”, ela diz: “Venho de um país criado à meia-noite. Quando quase morri era meio-dia. Há um ano saí de casa para ir à escola e nunca mais voltei. Levei um tiro de um dos homens do Taleban e mergulhei no inconsciente do Paquistão. Algumas pessoas dizem que não porei mais os pés em meu país, mas acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém”. Malaia desejava ser médica, agora quer ser primeira-ministra do Paquistão.

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