Saqueadores de fósseis: a ciência da pilhagem de ossos

Cientistas pedem que legislação seja cumprida e ainda mais rígida no mundo

iG Minas Gerais | Alanna Mitchell |

Natacha Pisarenko
História. Cerca de 1.300 espécies de dinossauros foram identificadas, sendo que mais da metade vem de um único esqueleto
Nova York, EUA. Trata-se da versão jurássica do roubo de túmulos: caçadores de fósseis saqueiam uma escavação paleontológica, muitas vezes quebrando crânios antigos e roubando dentes, garras e pés valiosos.Muitas vezes, tudo o que resta são fragmentos de ossos fossilizados e um registro científico insubstituível destruído. E nos casos em que os larápios escavam um esqueleto inteiro e o levam para as mãos de empresários ou colecionadores ilícitos, é como se os ossos, enterrados há milhões de anos, estivessem sendo desenterrados apenas para serem escondidos novamente em coleções particulares.“Isso é gravíssimo”, disse Catherine A. Forster, paleontóloga da Universidade de George Washington e presidente da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, nos Estados Unidos. “Não são apenas um ou dois espécimes. Uma boa parte dos bons fósseis simplesmente foi arrancada do que poderia formar um corpo de conhecimentos”.Além disso, embora alguns cientistas esperassem que um destacado processo judicial movido em Nova York no ano passado sobre a venda de um raro dinossauro mongol por US$ 1 milhão reduzisse a incidência de escavações ilegais, isso não parece ter acontecido. Mark A. Norell, diretor do setor de Paleontologia do Museu Americano de História Natural, em Nova York, disse que a visita ao deserto de Gobi durante o verão deixou claro que os saques continuam “a todo vapor”.Philip J. Currie, paleontólogo da Universidade de Alberta, contou ter descoberto que 98 esqueletos do dinossauro Tarbosaurus bataar foram destruídos ou removidos por saqueadores na Mongólia. Menos de uma dúzia estão nas mãos de cientistas.Difícil. Embora a era dos dinossauros tenha durado cerca de 165 milhões anos, encontrar seus esqueletos é relativamente difícil: apenas cerca de 3.000 são conhecidos. Cerca de 1.300 espécies de dinossauros foram identificadas, sendo que mais da metade vem de um único esqueleto e, talvez, um terço de um único osso.Os paleontólogos dizem que não têm como alvo aqueles que fazem escavações em busca de fósseis profissionalmente, dentro da lei. Mas pedem que a legislação que trata do roubo e do contrabando de dinossauros seja cumprida e se torne mais rígida pelo mundo, e que colecionadores particulares exijam provas da origem de fósseis antes de comprá-los.Do contrário, dizem os cientistas, verbetes valiosos do livro da vida da Terra serão perdidos para sempre, incluindo informações sobre onde exatamente foram encontrados os fósseis, em qual formação geológica as criaturas estavam, como se encontravam no solo, como foram descobertas e precisamente quando viveram – isso para não mencionar o que as levou à morte.

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