Descompasso pune passageiro

Horários de ônibus e metrô não coincidem, e usuários são expostos a riscos e desconforto

iG Minas Gerais | ALINE LOURENÇO |

CHARLES SILVA DUARTE /O TEMPO
Oferta. Operadoras alegam que falta demanda
O descompasso nos quadros de horários do metrô e das linhas de ônibus que deveriam fazer a integração entre os dois sistemas na capital causa desconforto e expõe os belo-horizontinos a riscos. Isso porque a última viagem diária das composições é às 23h, mas nesse horário várias linhas utilizadas pelos usuários para chegar ao destino final já pararam de circular. Muitos passageiros são obrigados a andar por locais mal- iluminados e ermos até chegarem a outros pontos de embarque, fora das estações. Para consultores em transporte público, a questão poderia ser resolvida com medidas simples, mas falta diálogo entre os órgãos que gerenciam os dois sistemas na cidade. Na estação Vilarinho, na região de Venda Nova, por exemplo, o circular 601, que faz o trajeto entre os bairros Nova Iorque e Juliana, passando pela estação, tem sua última partida às 22h50. Com isso, passageiros como o eletricista Max Leão, 42, que deveria ficar até mais tarde no trabalho e pegar o último horário do metrô, são obrigados a alterar a rotina. O problema é que a linha é a única que o leva direto para casa, no bairro Céu Azul. “Eu trabalho por conta própria, então para mim é mais vantajoso ficar mais tarde no serviço e terminar a tarefa. Mas como sei que depois não vou ter mais meu ônibus, eu tento sair mais cedo. Dessa forma, ao invés de fazer o serviço em um dia, gasto dois”, reclama. Max Leão conta ainda que, na semana passada, pagou uma corrida de táxi, após desembarcar na estação, para não ter que andar pela região, considerada perigosa à noite. Reduzindo prejuízos . A estudante Brenda Vieira, 19, que também já passou por situações de risco devido à restrição de ônibus na estação Calafate, na região Oeste da capital, decidiu tomar algumas precauções. “Antes de sair de casa, olho o horário do ônibus e programo a minha viagem de metrô. Se me atraso e tenho que andar para pegar outra linha, eu escondo o celular e meus documentos fora da bolsa porque se me roubarem o prejuízo é menor”. Na avaliação do professor de transporte e trânsito da Universidade Fumec Márcio de Aguiar, os perigos acabam desestimulando os usuários a optarem pelos sistemas. “Isso é uma questão de segurança pública também. Não basta apenas a integração tarifária. A BHTrans e a CBTU deveriam estar trabalhando em conjunto para fazer um sistema que funcione, que não deixe a pessoa à mercê de problemas e assaltos”, diz. Paulo Rogério Monteiro, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que o ideal seria que todas as modalidades de transporte que operam em um mesmo espaço fossem administradas por um único órgão. “Atualmente, são níveis de governo diferentes, um municipal e outro federal. Isso distancia o trabalho”, argumenta.

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