Provas enfocam cultura do país

Reportagem de O TEMPO se inscreveu no exame e foi um dos mais de 7 milhões de candidatos

iG Minas Gerais |

RICARDO MALLACO – 26.10.2013
Exame foi classificado pelo ministro da Educação como o maior da história
“Se esta história não existe, passará a existir”. A interpretação do fragmento do livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, é decisiva para que milhares de estudantes deem o primeiro passo para construir também uma história, a profissional. Pelo caminho, há ainda trechos das músicas de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Noel Rosa e Rita Lee a serem interpretados. Na sala de aula, no entanto, o que se ouvia eram apenas o barulho do ventilador e da mudança de página da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado no último fim de semana. Para vivenciar o desafio encarado pelos mais de 7 milhões de candidatos do teste, a reportagem de O TEMPO se colocou, literalmente, no lugar dos estudantes e fez a prova. Impresso nos cadernos do Enem, esse fragmento das obras da escritora, assim como outros de canções dos músicos, serviu para a elaboração de questões de linguagens, códigos e suas tecnologias. Antes de cada pergunta da prova, quase sempre havia um texto longo, que exigiu interpretação e conhecimento sobre a cultura brasileira. A exaustão com a leitura deixou uma das Natálias deitada na mesa. Na sala, já que os candidatos foram separados por ordem alfabética, todas eram Natálias. Muitas saíram para lavar o rosto e deixaram sobre as mesas os energéticos. Realmente era preciso ter energia, afinal, 180 questões, em cadernos com 31 páginas cada, deveriam ser lidas cuidadosamente, nos dois dias do Enem. Mais a prova de redação. Na mesa, deveriam ficar apenas canetas esferográficas pretas e transparentes. Até os celulares, desligados, precisavam ser colocados em uma embalagem lacrada, embaixo das carteiras. No primeiro dia da prova, sábado, as questões eram de ciências humanas – que demandavam interpretação e conhecimento da história do país. Citações de pensadores, como René Descartes, integraram enunciados. No mesmo dia, muitas das questões de ciências da natureza – física, química e biologia – também exigiam raciocínio. Outras, lógica. Redação.  Anteontem foi o dia da temida redação, que teve como tema a Lei Seca, constantemente discutido em redes sociais e veiculado na mídia. Impressos no exame, textos sobre o assunto serviram como base para que os estudantes construíssem sua redação. Foi preciso desenvolver bem a ideia, já que a redação não podia ter menos que sete linhas – nem mais de 30. Para treinar a elaboração do texto durante a prova, candidatos receberam duas folhas de rascunho, úteis também para resolver as questões de matemática.

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