McCartney volta com uma pequena ajuda dos amigos

Ex-Beatle faz de seu 16° álbum, “New”, um trabalho de sonoridades variadas

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

Keith Srakocic
Diverso. Contando com a colaboração de diversos produtores, Paul McCartney fez um belo trabalho
Não que ele precise, mas sir Paul McCartney tomou emprestadas as ideias de nada menos que quatro produtores para moldar seu novo álbum, o 16° de sua carreira solo. Mark Ronson, Ethan Johns, Paul Epworth e Giles Martin (filho do “quinto Beatle” George Martin) são os nomes que têm a honra de estarem registrados no disco. Essa salada é importante para se desvelar “New”, porque justifica a falta de unidade estética do disco, algo que estava muito presente nos trabalhos autorais precedentes de Paul (“Memory Almost Full”, de 2007, e a obra-prima “Chaos and Creation in The Backyard”, de 2005. E também levanta as suspeitas de que o músico não está muito interessado nisso, nessa amarração que pode, sim, funcionar, mas que também pode simplificar um dos artistas mais plurais que habitam o mundo da música. A pauta básica é rock, com certeza. Mas se certa névoa melancólica permeava os discos citados, com o gênio fazendo algumas reavaliações de percurso e olhando para trás com ternura, o disco apresenta um Paul em estado de graça, a começar pelo título. Ao batizar o trabalho de “New”, nos presenteia com um belo exemplo de humor mccartiano, menos ferino e ácido que de seu parceiro eterno Lennon, mas também britanicamente divertido. E assim é também o conteúdo sonoro de “New”: alegre, sortido, descompromissado. Se algumas vezes ele não se deu bem fazendo o papel de sujeito comum, sem o peso da sombra beatle, aqui logra êxito, graças ao bom uso da marca de seus produtores. Epworth é responsável pelo rock festeiro de “Save Us” (que lembra o Queen!) e pela adorável “Queenie Eye”, aquelas explosões melódicas que ele parece criar com a mesma facilidade com que boceja. Mark Ronson leva Paul para balanços mais pop, como “Alligator”, e na ótima “New”, está francamente beatle e luminosa. Ethan Johns talvez seja aquele que consiga imprimir um tom mais sóbrio, encontrável em suas produções com Ryan Adams, por exemplo. “Hosanna” carrega ambiência cadenciada, uma balada meio country, sombria. E temos o esperado encontro entre Macca e Giles Martin, em que saberemos se algumas sensibilidades são mesmo genéticas. Muito simples: faixas como “On My Way to Work” soam muito Paul McCartney, como se fosse sua sonoridade clássica, em que a possível “presença” de um produtor passa invisível. Ou seja, exatamente o que acontecia com os Beatles: a assinatura de George Martin era algo amalgamado naturalmente às composições do grupo. “Everybody Out There” é Wings puro. Susto apenas na modernosa “Aprecciate”, mas nada que espante o ouvinte. Mais um ótimo disco de Paul, coroando uma grande fase, uma ótima década fonográfica. Agenda “New”. Paul McCartney. EMI. Disponível para audição no Itunes

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