MPF recorre da decisão judicial que liberou líder neonazista da Nelson Hungria

Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos,denunciado pelos crimes de preconceito, divulgação do nazismo e corrupção de menor, estava preso há cinco meses

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu, nesta segunda-feira (28), da decisão judicial  que revogou a prisão preventiva de Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos,denunciado pelos crimes de preconceito, divulgação do nazismo e corrupção de menor. O skinhead conhecido como Donato Di Mauro, foi liberado na noite de quarta-feira (23) da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O alvará de soltura foi dado pela 9ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, nos autos do Pedido de Liberdade Provisória, que não tramita sob sigilo. A decisão acatou os argumentos da defesa visando que Donato tem residência fixa e emprego garantido como freelancer numa empresa de marketing e de que não haveria registro de outros processos criminais em que ele seja parte. O juízo da 9ª Vara, ao revogar a prisão, também levou em conta o fato de que ele estaria sofrendo ameaças à sua incolumidade física na penitenciária onde se encontrava preso desde abril deste ano. A decisão considerou “a impossibilidade do Estado de garantir ao preso o respeito à sua integridade física e moral” e impôs, como medidas cautelares, o comparecimento mensal do réu em juízo e a proibição de acessar redes sociais. Segundo o MPF, a decisão deve ser reformada pelo TRF, porque não se sustentam os argumentos acatados em favor do réu, a começar das supostas ameaças à sua integridade física. O MPF informou que as agressões sofridas por Antônio Donato teriam ocorrido logo após sua prisão, quando ele ainda estava detido no CERESP São Cristóvão, em Belo Horizonte/MG, onde dividiu uma cela com outros 30 detidos. Em seguida, o acusado foi transferido para a Penitenciária Nelson Hungria, sendo colocado em cela individual exatamente para garantir a sua segurança. O MPF entende que a manutenção da prisão do reú se faz necessária para garantir a instrução criminal e aplicação da lei penal. Depois o acudado deletou seu perfil no Facebook, por meio do qual foi praticada grande parte dos crimes. Relembre o caso A investigação do caso começou após uma foto que foi divulgada na internet, em que Antônio Donato Baudson Peret aparece agredindo um catador de papel, utilizando uma corrente para "enforcar" o homem. Na legenda, ele escreveu:  "Quer fumar 'kraquinho'? Quer? Em meio a praça pública cheia de  criança? Acho que não”, dando a entender que a vítima era usuária de drogas. Como a foto ganhou repercussão, o jovem fugiu, mas acabou sendo preso em Americana (SP). Marcus Cunha e João Matheus Moura foram detidos por equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil e da 1ª Delegacia de Polícia Sul. A casa deles foi vasculhada, com autorização judicial através de três mandados de busca e apreensão.

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