Vendedoras terão cartão próprio

Receita Estadual afirma que trata os ônibus como transporte normal de passageiros

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

UARLEN VALERIO / O TEMPO
Sacoleiras compram em pontos do comércio de rua em São Paulo
A criação de um cartão de crédito específico para as sacoleiras está sendo viabilizada pelo empresário Elias Tergilene, que iniciou seu império vendendo esterco e porta-retratos nas ruas de Betim. A meta, segundo ele, “será de grande valia para garantir a segurança e comodidade” de sua clientela, grande parte composta por sacoleiras.   “Quero mostrar ao governo que a informalidade é um estágio natural das grandes empresas”, afirma, apontando como exemplos Bill Gates e John Pemberton, criador da fórmula da Coca-Cola. “Os bancos, hoje, não mantêm interlocução com quem atua na informalidade, principalmente os públicos, que são mais burocráticos. E isso é um problema sério”, constata. Dono da rede de shoppings populares Uai, com quatro unidades em Belo Horizonte e duas em Manaus, Tergilene anuncia a expansão de seu império, com a instalação de novos shoppings do gênero em Salvador, Brasília, Fortaleza e Feira de Santana, na Bahia, e também no Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão. Outra meta é reformular a Feira da Madrugada de São Paulo, administrada por ele durante mais de um ano. O que ele quer, adianta, é instituir uma espécie de cooperativa de camelôs. “Quero instituir um novo formato de centro de compras. O que falta é organização, reduzir o volume de contrabando e também de pirataria”, diz, acrescentando que os estudos estão sendo conduzidos pela Fundação Dom Cabral. “Queremos formalizar o empreendedor informal, garantir comodidade às sacoleiras”. Sem dados oficiais. Uma das dificuldades encontradas na hora de se criar produtos para as sacoleiras é a falta de informações sobre sua ação. Até entidades ligadas ao comércio, como a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), informaram não ter fontes que pudessem falar sobre o assunto. Polícia e Receita Transporte normal A assessoria da Receita Estadual informou que os ônibus fretados para transporte de sacoleiras “são tratados como transporte normal de passageiros” e que as fiscalizações se limitam a ônibus vindos do Paraguai e que extrapolam as cotas estabelecidas. Sem repressão A Polícia Rodoviária Federal nega que haja operações em que esse tipo de transporte é reprimido. De acordo com o inspetor Aristides Júnior, porta-voz da corporação, raramente ocorrem assaltos a ônibus de sacoleiras em território mineiro. O policial informou as rotas percorridas com maior frequência por ônibus de sacoleiras.

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