Empresária na mira da PF

Dona de transportadora de Betim pode estar envolvida em esquema de lavagem de dinheiro

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Prefeitura de São José dos Pinhais/divulgação
Relações. Ana Cristina Aquino ao lado do advogado João Graça e do prefeito de São José dos Pinhais, Luis Setim, durante inauguração
Os lucros milionários da AG Log Transportes, uma transportadora de veículos localizada em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, e os altos gastos da fundadora da empresa, Ana Cristina Aquino, estão sendo investigados pela Polícia Federal. A expectativa é que se possa desvendar um esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina a autoridades ligadas ao Ministério do Trabalho, segundo revela matéria da revista “IstoÉ”. Com apenas três anos de funcionamento e sem prestar serviços a nenhuma grande empresa do setor, a transportadora declarou ter faturado, de junho de 2012 a junho de 2013, R$ 102 milhões. O movimento em apenas 30 dias teria ultrapassado os R$ 20 milhões. Além disso, nos últimos meses, Ana Cristina teria adquirido jatinho, helicóptero e uma dezena de carros de luxo. A empresária também pode ser alvo de uma investigação por falsidade documental, uma vez que possui dois CPFs e quatro empresas com o mesmo nome e CNPJ diferentes registradas em Esmeraldas, Varginha e Betim, em Minas Gerais, e em Curitiba, no Paraná. Uma fonte revelou à reportagem de O TEMPO que as aeronaves fazem parte de uma lista de pagamentos que a PF estaria verificando. Um helicóptero esquilo no valor de R$ 6,5 milhões adquirido de Luiz Fernando Porto, filho do ex-ministro Arlindo Porto, e um jato Citation C1 avaliado em R$ 5 milhões e comprado da empresa Modulax, de Sete Lagoas, ficam no aeroporto da Pampulha à disposição da empresária. O faturamento aparente da empresa é de R$ 500 mil por mês, mas segundo ex-funcionários, nos últimos 12 meses, mais de R$ 110 milhões de recursos foram creditados através de transferências bancárias provenientes de corrupção do Ministério do Trabalho. Segundo a PF, as apurações estão no início e partem de transferências bancárias efetuadas de Betim para o Paraná e para o Pará, ambas no valor de R$ 20 milhões – locais onde estariam os principais sócios, já que Ana Cristina seria considerada “uma laranja que fugiu do controle”. Rastros. Um dos detalhes que chamaram a atenção para as investigações é a relação entre a AG Log e o advogado João Graça, integrante da cúpula do PDT nacional e assessor especial do ministro do Trabalho, Manoel Dias. Apesar de não aparecer em nenhum documento oficial da empresa, Graça, que foi assessor do ex-ministro Carlos Lupi, tem o seu escritório de advocacia registrado no mesmo endereço da transportadora em Curitiba, onde a construção da filial custou R$ 25 milhões. Planilha de despesas da AG Log a qual a “IstoÉ” teve acesso revela que a empresa justificou os gastos de R$ 3 milhões como referentes à regulamentação do Sindicato dos Cegonheiros de Pernambuco (Sincepe), mas a solicitação de registro do Sincepe tramita atualmente no Ministério do Trabalho. “De acordo com documentos apresentados ao próprio ministério, Ana consta como presidente do Sincepe e um de seus filhos integra o conselho fiscal. O escritório de João Graça advogou pela criação do sindicato até março de 2013”, mostra a revista. “Operação Esopo” Investigações. De acordo com a “IstoÉ”, “outros documentos com detalhes das operações financeiras da transportadora estão sendo analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Eles constam do inquérito da operação Esopo, que há dois anos investiga desvios de recursos do Ministério do Trabalho, sob o comando do PDT, e prováveis pagamentos de propinas a servidores públicos”. Prisões. Ainda segundo a revista, “a operação prendeu 22 pessoas e as suspeitas são de que cerca de R$ 500 milhões tenham sido desviados do ministério nos últimos anos. Agentes que trabalham nas investigações afirmam que o caso não foi concluído ainda porque houve problemas operacionais”. Porém, devido à falta de pessoal, a PF enfrenta dificuldades para avançar nas apurações e analisar a documentação sobre a transportadora. Explicação Site. No site da empresa, a justificativa para o crescimento espantoso são “os altos investimentos nos campos tecnológicos e de infraestrutura, mas principalmente em capital humano”.

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